Sociedade | 14-02-2020 12:30

Aeroporto em Tancos só pode ser discutido se houver união entre autarcas

Aeroporto em Tancos só pode ser discutido se houver união entre autarcas

Há muito que se fala numa alternativa ao congestionado aeroporto de Lisboa e de vez em quando surgem vozes a defender a adaptação da pista militar de Tancos.

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo vai trabalhar com o Exército na elaboração de estudos preparatórios para sustentar um pedido ao Governo para que se faça uma avaliação à transformação do aeródromo de Tancos, Vila Nova da Barquinha, num aeroporto civil. Esta é uma das primeiras acções da comunidade, que está a promover um conjunto de sessões de debate e esclarecimento no sentido de defender esta solução.

No primeiro debate, que decorreu em Vila Nova da Barquinha, no dia 5 de Fevereiro, o piloto da TAP, João Roque, natural de Tomar, sustentou que o aproveitamento da pista de Tancos tem vantagens em termos de aviação e de custos, mas a ideia só será vista como uma hipótese se os autarcas deixarem de olhar para o umbigo e se definirem uma estratégia comum.

João Roque, que já tinha defendido o aeroporto para voos low-cost num debate promovido pelo presidente da distrital do PSD, João Moura, há quase um ano, que não teve adesão dos autarcas, sublinha as potencialidades da região. O piloto destaca a localização, perto do Entroncamento, onde a estação ferroviária permite a ligação a vários pontos do país e sobretudo à capital, bem como a auto-estrada A23 que liga à A1 e permite chegar a Lisboa em cerca de uma hora e meia. Além disso, destaca, o custo previsto de adaptação é de 38 milhões de euros, o que constitui uma alternativa mais em conta para o Estado.

O piloto sustenta que a base militar de Tancos tem a capacidade e a centralidade necessárias e que o aeroporto de Tancos representaria uma mais-valia para a economia da região, sobretudo na área turística. Mas para isso, alerta, é necessário que os autarcas se juntem e mostrem “união na defesa de causas que beneficiam toda a região”. E uma das vantagens será impulsionar Fátima como um destino turístico alternativo a Lisboa e ao Porto, conforme defende o ex-piloto Paulo Soares, professor de Direito Aéreo na Faculdade de Direito do Porto, que também participou no debate. “Há cada vez mais turistas a visitarem Portugal fora da época de Verão, para destinos do interior do país e, nesse sentido, um aeroporto aqui faz todo o sentido”.

A falta de alojamento, uma das questões levantadas por alguns dos que assistiam ao debate, não é um problema, no entender da presidente da comunidade intermunicipal e da Câmara de Tomar, Anabela Freitas. “Quando há procura, há oferta, disto temos a certeza”, considera a autarca, além de que há muito tempo para a região se adaptar, uma vez que um projecto destes demora dez a quinze anos a ser concretizado, segundo estima Paulo Soares. “Há aspectos laterais que vão ter que ser melhorados como o aumento do número de comboios e de autocarros e mais unidades hoteleiras, entre muitos outros aspectos, mas até isso vejo como um ponto a favor porque é no interior do país que se precisa de apostar e desenvolver”.

Para além da realização do estudo, que prevê avaliar a procura, a concorrência, as características técnicas e os custos alocados à construção deste aeroporto regional, os autarcas da CIMT já solicitaram um conjunto de reuniões com os ministros da Defesa e das Infraestruturas.

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