Sociedade | 27-09-2022 11:59

Pedalar na Póvoa de Santa Iria é actividade de risco

Filha de Tiago Delgado sofreu um acidente quando ia de bicicleta para a escola

Pinturas nas ciclovias estão praticamente sumidas em diversos locais e a convivência entre bicicletas e automóveis continua complicada. Um ciclista que sofreu um acidente quando levava a filha de seis anos à escola dá rosto às críticas. Município diz que pretende fazer primeiro mais bolsas de estacionamento e só depois remarcar o pavimento das ciclovias.

O perigo espreita nas ciclovias da Póvoa de Santa Iria e quem ali anda de bicicleta queixa-se de falta de civismo dos condutores, desrespeito pela sinalização vertical que indica a presença das ciclovias e da falta de pintura do piso. Em alguns casos, como o de Tiago Delgado, o desfecho acaba por ser dramático, com acidentes entre quem está a passar de bicicleta e quem está a tirar o carro dos estacionamentos junto às ciclovias.
Tiago Delgado, de 37 anos, é natural da Póvoa de Santa Iria, foi atleta do Povoense e é programador informático. A filha, de seis anos, entrou no ano passado no 1º ciclo e como a escola fica a pouco mais de um quilómetro de casa, Tiago passou a levá-la de bicicleta. Em Novembro de 2021 a viagem correu mal. Um carro estacionado em cima do passeio abriu subitamente a porta quando Tiago e a filha de Tiago iam a passar e deu-se um choque violento ainda que sem gravidade. Um dos envolvidos no choque, uma outra criança que estava a sair do carro, teve de ser transportada ao hospital mas teve alta pouco depois.
“Actualmente os troços com ciclovia são mais perigosos do que os outros porque estão parcialmente apagados e os condutores estacionados ao fazer marcha-atrás, não conseguem ver quem passa”, lamenta Tiago Delgado, que é defensor do projecto das ciclovias mas critica a forma como foram implementadas.
Um dos exemplos a precisar de atenção é a Avenida Dom Vicente Afonso Valente, desde a zona do centro comercial Serra Nova até à rotunda do silo automóvel. “As pessoas precisam de perceber que nas ciclovias além de adultos andam muitas crianças a ir para a escola de skate, trotineta e bicicleta”, explica Tiago Delgado. O morador considera que uma mudança na forma como os carros estão estacionados poderia ajudar a aumentar a segurança, mas não há nada como quem está ao volante ter mais cuidado e civismo.
“Precisamos que a câmara decida fazer alguma coisa. Como isto está não é nada. É uma bandalheira perigosa. Se os acidentes continuarem a culpa é da câmara, por causa da sua negligência. Sabe que isto está mal e criou ciclovias em sítios inseguros. Qualquer pessoa com dois dedos de testa vai preferir andar numa ciclovia do que no meio da estrada, mas afinal de contas andar na ciclovia é arriscar-se a levar com um carro em cima”, lamenta Tiago Delgado.
A Câmara de Vila Franca de Xira explica a O MIRANTE que o projecto de implementação das ciclovias e a sua melhoria está “em processo de estudo” depois da polémica que dura desde a sua criação, com o projecto a dividir opiniões. A câmara pretende aumentar as bolsas de estacionamento público antes de finalizar as ciclovias. Diz que já foi construída uma bolsa com capacidade para 100 automóveis na Quinta da Piedade, entre a Rua Alberto Sanches de Castro e a Rua Almirante Gago Coutinho, e assegura que com a continuação dos estudos e a implementação de mais estacionamento está prevista a remarcação das pinturas nos troços de ciclovia que estão hoje quase todas apagadas, mas não diz quando.

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