Sociedade | 26-12-2022 07:00

Demissões põem em causa direcção da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém

Demissões põem em causa direcção da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém
Presidente da direcção da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém, Luís Mena Esteves (na foto), não esteve disponível para prestar esclarecimentos sobre as questões levantadas por Nuno Gomes.

O presidente e a primeira secretária da assembleia-geral da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém renunciaram ao cargo em confronto aberto com a direcção, a quem acusam de sonegar informação e de não esclarecer se decidiu atribuir remunerações aos seus membros.

A instituição, recorde-se, esteve afogada em dívidas e à beira da extinção, tendo sido salva pela Segurança Social.

A recuperar das dificuldades financeiras que a puseram à beira da extinção, a Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS) volta a viver momentos conturbados, com a demissão do presidente da assembleia-geral. Nuno Gomes bateu com a porta no dia 11 de Dezembro em confronto aberto com a direcção liderada por Luís Mena Esteves, a quem acusa de sonegar informação e de não esclarecer se os elementos da direcção decidiram, em causa própria, remunerar-se pelos cargos que desempenham numa IPSS que, recorde-se, está sob assistência financeira do Fundo de Socorro da Segurança Social. Alguns dias depois, a primeira secretária da assembleia-geral, Maria Emília Santos, também renunciou ao cargo, solidária com Nuno Gomes.
O nosso jornal teve acesso à carta que Nuno Gomes escreveu ao presidente da direcção, e de que deu conhecimento aos órgãos sociais e aos associados, onde justifica a sua renúncia com a “total ausência de respostas e desconsiderações permanentes por parte da direcção” e deixa algumas questões que nunca conseguiu que fossem clarificadas: “os elementos da direcção estão a ser remunerados? Se sim, questiona-se: desde quando, quantos elementos, qual o valor e com que fundamentos? As remunerações foram apreciadas e aprovadas em assembleia-geral”.
Ao que O MIRANTE conseguiu apurar, quatro elementos da direcção, entre os quais o presidente Luís Mena Esteves - que é também presidente da União de Freguesias de Azoia de Cima e Tremês -, estarão a receber há já algum tempo uma quantia mensal no valor de cerca de 300 euros, por decisão própria. Uma medida que estará prevista nos estatutos mas que não passou pelo crivo da assembleia-geral e que caiu mal entre alguns associados, tendo em conta as dificuldades que a ADSCS tem vivido.
Nuno Gomes critica também a direcção por não facultar a consulta das actas das reuniões da direcção, de não publicar as convocatórias das assembleias-gerais e de ter apagado da relação de sócios diversas pessoas, entre as quais ele próprio, por alegadamente não terem as quotas pagas, referindo que a exclusão é uma decisão da competência dos associados em assembleia-geral. “Lamento que aqueles que comigo criticaram o passado da instituição tenham decidido seguir um rumo de gestão com o qual, conceptualmente, não me identifico”, escreveu Nuno Gomes, acrescentando que “a continuar em funções significaria que estaria a compactuar com uma realidade que abomino”.
Contactado por O MIRANTE, Nuno Gomes reitera tudo aquilo que escreveu na carta e sublinha que não é pessoa de entrar em clivagens nem suscitar polémicas, referindo que tomou essa posição por não gostar da forma como a direcção vinha ultimamente tratando os restantes órgãos sociais.

Presidente da direcção em silêncio
O MIRANTE contactou também o presidente da ADSCS para tentar obter a sua versão dos acontecimentos e esclarecer algumas das questões levantadas pelo ex-presidente da assembleia-geral, mas Luís Mena Esteves, após ter atendido uma primeira chamada que entretanto caiu, nunca mais correspondeu às nossas tentativas de contacto nem deu resposta à mensagem enviada.

Cumplicidade política pode ficar em causa

A secretária da assembleia-geral da ADSCS, Maria Emília Santos, que agora renunciou ao cargo, é também secretária da Junta de Freguesia de Azoia de Cima e Tremês, cujo presidente é Luís Mena Esteves. Ambos foram eleitos numa lista independente, tal como aconteceu nos anteriores mandatos. Até 2013, quando foi instaurada a união de freguesias, a professora liderava a Junta de Freguesia de Tremês, eleita pelo PSD, e Luís Mena Esteves presidia à Junta de Azóia de Cima, eleito pelo PS.

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