Entroncamento atrai eventos mas perde retorno económico por falta de camas
Falta de alojamento no concelho obriga participantes do Portugal Railway Summit 2026 a dormir em Tomar. Oposição fala em oportunidade económica perdida e executivo admite fragilidade, mas defende impacto estratégico do evento para afirmar o Entroncamento como referência ferroviária nacional.
A falta de capacidade hoteleira no Entroncamento voltou a expor uma fragilidade estrutural do concelho. Na última reunião de câmara, a propósito do apoio municipal ao Portugal Railway Summit 2026, que decorre nos dias 20 e 21 de Maio no Museu Nacional Ferroviário, vereadores da oposição alertaram que o município consegue atrair grandes eventos, mas continua sem condições para reter todo o retorno económico que esses acontecimentos podem gerar. O apoio municipal ao evento, no valor de cerca de 20 mil euros, inclui despesas com catering, deslocações, comunicação e acções de divulgação. Apesar de reconhecer a importância da iniciativa para o concelho, o vereador Rui Madeira (PSD) questionou as contrapartidas concretas para o comércio local, sublinhando que muitos participantes ficarão alojados em Tomar.
Também Mário Balsa (PS) considerou que o debate evidenciou uma debilidade antiga do Entroncamento ao nível do turismo e do alojamento. O socialista recordou o crescimento da oferta hoteleira em Tomar nos últimos anos, defendendo que esse resultado nasceu de uma estratégia municipal orientada para atrair investimento privado. “Este evento deixa visível aquilo que é uma fragilidade que temos. Nós até podemos atrair estas dinâmicas para cá, mas depois temos os nossos dois hotéis sempre com a capacidade esgotada”, afirmou. Para Mário Balsa, o concelho precisa de um “plano muito sério ao nível do turismo”, envolvendo entidades públicas e privadas, capaz de criar condições para captar investimento e definir uma visão clara para o futuro do sector.
O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, admitiu que a preocupação manifestada pela oposição “é a mesma” do executivo e reconheceu que a capacidade hoteleira existente é insuficiente para responder a eventos desta dimensão. Ainda assim, defendeu que o Portugal Railway Summit tem impacto directo e indirecto no concelho, sublinhando que o apoio municipal será aplicado em serviços locais, nomeadamente catering. Nelson Cunha destacou ainda que, pela primeira vez, a autarquia exigiu a presença de um stand dedicado à promoção do Entroncamento e de produtos locais. O autarca referiu que estão previstas visitas a oficinas ferroviárias e que o evento deverá trazer cerca de 600 pessoas ao concelho.
Apesar das limitações, o presidente da câmara frisou que o município quer manter o summit no Entroncamento, lembrando que há outros concelhos interessados em receber a iniciativa. “Fazemos questão que o Entroncamento continue a receber este evento, que muito nos agrada”, afirmou, defendendo que a realização do encontro no Museu Nacional Ferroviário reforça a imagem do Entroncamento como referência ferroviária a nível nacional.


