Arquivo | 19-05-2004 02:23

Sopa presidencial ficou-se pelas azeitonas

Sopa presidencial ficou-se pelas azeitonas

O XI Congresso da Sopa de Tomar, realizado no sábado, recebeu um convidado muito especial. O Presidente da República visitou o certame e misturou-se com os milhares de sopeiros que encheram o Parque do Mouchão. Mas limitou-se a comer azeitonas.

Os proprietários das tasquinhas bem tentaram mas o Presidente da República, Jorge Sampaio, resistiu à tentação de provar uma das 81 sopas que foram servidas no sábado, no Parque do Mouchão, em Tomar, no âmbito do XI Congresso da Sopa.“Senhor Presidente não gosta de sopa? Dê-nos a honra de provar da nossa”, dizia a cozinheira de uma das tasquinhas, avançando com uma malga de sopa da pedra. Mas Jorge Sampaio mantinha-se irredutível – “gosto muito de sopas, mas tenho de fazer a dieta, não posso engordar”.A presença do Presidente da República deu definitivamente ao evento gastronómico, que já vai na XI edição, um cariz nacional. “Olha, o Presidente também veio às sopas”, dizia toda empolgada Virgínia Rodrigues, de Almada, enquanto tentava enquadrar-se com uma das câmaras de televisão. “É para me verem lá em casa ao lado do Sampaio”, gritava.Sempre rodeado de fortes medidas de segurança, pessoal e da PSP de Tomar, o Presidente da República percorreu as 48 tasquinhas que ofereciam sopas para todos os gostos mas acabou por provar apenas as azeitonas verdes de um dos restaurantes convidados.Fazendo de cicerone a Jorge Sampaio, o presidente da Câmara de Tomar ia-lhe dando algumas explicações sobre cada restaurante. “Esta senhora é filha dos proprietários deste famoso restaurante e está à frente do negócio, depois de tirar o curso de gestão hoteleira”, dizia António Paiva, enquanto o Presidente acenava a cabeça – “muito bem, muito bem, são as novas gerações a continuar o negócio familiar”.Umas tasquinhas mais à frente, o presidente da Câmara de Tomar recomendava a Jorge Sampaio a visita à Lúria, um dos restaurantes mais conhecidos do concelho. E até o aconselhou a levar um dos cartões de visita que estavam em cima da mesa.“Olha, o senhor presidente é mais simpático ao vivo que na televisão”, afirmava convicta uma das comensais enquanto tentava chegar-se ao Chefe de Estado. Sem êxito, já que os elementos da segurança pessoal não brincavam em serviço. “Com licença, deixem passar”, diziam ao mesmo tempo que com os braços abriam caminho. Mas a situação complicava-se à medida que o recinto se ia enchendo e milhares de pessoas acorriam às tasquinhas. Os homens do Presidente suaram as estopinhas para garantir uma segurança eficaz. “Isto assim é impossível”, desabafava um, impedindo um grupo de senhoras de beijar Jorge Sampaio.No final do circuito das tasquinhas o Presidente da República mostrou-se agradado com a qualidade do evento. “Só podemos ter qualidade se formos competitivos e parece-me que é isso que acontece aqui”.Sopas para todos os gostosSe o Presidente não fez o gosto à boca, muitos houve que, ao contrário, quiseram provar o maior número de sopas possível. Como dizia Arminda Moreira, de Vila Nova de Gaia, os oito euros pagos à entrada tinham de ser bem digeridos.“Ai, que horror, sopa de chicharro, dessa não provo”, afiançava uma senhora bem posta para a amiga, que a emendava - “não são chicharros, são chícharos”. Mas a senhora parece ter ficado na mesma porque engelhou o nariz e passou à frente.Os cinco mil visitantes que estiveram no sábado no Parque do Mouchão puderam provar das tradicionais sopas de peixe, da pedra ou de feijão com couves à moda antiga, às originais sopa do fogo, de corno ou de favas. E deliciar-se ainda com uma sopa brasileira de mocotó ou a tradicional cachupa de Cabo Verde.A mais cobiçada foi sem dúvida a Caça Brava, uma sopa confeccionada sem quaisquer legumes mas com muita carne de perdiz, pombo bravo, lebre, coelho, veado e javali. As carnes, passadas pelo passe-vite depois de cozinhadas formam um creme espesso, sendo servido com pedaços das carnes de restaram e com pedacinhos de batata cozida por cima, como se fosse pão torrado.Uma sopa para poucas bolsas mas que esteve ao alcance de milhares de bocas no sábado, em Tomar.Margarida Cabeleira

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