Arquivo | 16-10-2013 12:51

Perigo afasta jornalistas da cobertura do conflito na Síria

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) referiu hoje que há cada vez menos jornalistas a cobrir o conflito na Síria devido ao perigo, nomeadamente de serem mortos, acusados de espionagem ou raptados.Além do perigo, há também restrições à emissão de vistos por parte do regime de Damasco, além da propaganda feita pelas duas partes em conflito, que torna ainda mais difícil o trabalho dos jornalistas.“A maioria dos jornalistas afirma que é muito arriscado ir para a Síria neste momento, mesmo que muitos profissionais tenham vontade de o fazer”, referiu Soazig Dollet, da RSF.Segundo esta organização, pelo menos 25 profissionais estrangeiros e sírios e 70 civis que se encarregavam de recolher informações para jornalistas foram mortos desde o início da guerra civil, em Março de 2011.De acordo com a mesma fonte, há ainda um grande risco de rapto e pelo menos 16 jornalistas estrangeiros foram dados como desaparecidos, podendo haver mais, cujas famílias optam por não revelar.Entre os desaparecidos está James Foley, um jornalista freelance norte-americano que fez reportagens para a agência francesa France Presse e que foi capturado no noroeste da Síria, a 22 de Novembro de 2012.Para contornar as restrições do regime na emissão de vistos e de autorização para circularem no país, vários jornalistas entram na Síria em locais sem controlo nas fronteiras com a Jordânia, Iraque, Líbano ou Turquia.De acordo com o Comité para a Protecção de Jornalistas (CPJ), a maioria das mortes e dos raptos de jornalistas ocorreram nas zonas controladas pelos rebeldes, um fenómeno que tem vindo a aumentar.“As razões por detrás destes raptos não são apenas políticas, mas também financeiras, e há grupos que têm como alvo especificamente os jornalistas, acusando-os de serem espiões”, afirmou Shérif Mansur, do CPJ.Em declarações à France Presse, um jornalista freelance que faz a cobertura do conflito desde Dezembro de 2011, que pediu anonimato, referiu que para entrar em território rebelde “é preciso ter a protecção de um batalhão rebelde que tenha boas relações com os islamitas radicais”, caso contrário terá grandes probabilidades de ser raptado.O mesmo jornalista contou ainda que numa deslocação recente com outros colegas de profissão teve a protecção de oito elementos do Exército Sírio Livre, a principal coligação rebelde dita moderada e apoiada pelos países ocidentais e árabes, pagou 300 dólares (221 euros) por dia e mesmo assim foi ameaçado por duas vezes por elementos do grupo de rebeldes.De acordo com o responsável do CPJ, o facto de cada vez menos jornalistas arriscarem entrar na Síria “é um presente para aqueles que violam os direitos humanos”.O conflito na Síria já provocou mais de 110.000 mortos desde Março de 2011, de acordo com as Nações Unidas.

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