Arquivo | 31-10-2013 09:14

Crianças até aos 3 anos consomem o dobro das proteínas que deviam

As crianças portuguesas entre os 12 meses e os três anos consomem mais do dobro das proteínas recomendadas, sobretudo devido a um excesso de leite de vaca, segundo um estudo sobre a alimentação nos primeiros anos de vida.De acordo com os dados do estudo “EPACI - Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância”, que será apresentado sexta-feira em Lisboa, as crianças portuguesas registavam um consumo de energia superior às recomendações e um consumo de proteína mais do dobro do recomendado.Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, explicou à agência Lusa que parte desse consumo excessivo de proteínas se deve ao leite, com os pais a terem tendência para sentirem que a criança fica protegida se consumir elevadas doses proteicas.Também Carla Rêgo, pediatra e coordenadora do EPACI, indica que estão a ser dadas às crianças até aos três anos “volumes de leite de vaca francamente acima do recomendável”.Segundo a especialista, a partir dos 12 meses já pode ser introduzido leite de vaca na alimentação das crianças, embora as recomendações vão para se continuar a dar leite de fórmula (em pó) durante mais tempo.“As fórmulas infantis têm menor teor de proteína e têm a adição de alguns nutrientes que o leite de vaca não consegue fornecer”, disse, explicando que há actualmente um “recurso precoce ao leite de vaca”.De acordo com Carla Rêgo, são suficientes, entre os 12 e os 36 meses, entre 300 a 500 mililitros de leite e derivados, ou seja, já incluindo iogurtes e queijo.O consumo aconselhado de proteínas nesta faixa etária é de 0,8 a 1,2 gramas por quilo de peso.Além do recurso precoce ao leite de vaca, a especialista aponta as quantidades excessivas consumidas por crianças pequenas que já estão inseridas na dieta familiar, comendo carne e peixe, por exemplo.Para Carla Rêgo, o estudo demonstra que “o maior responsável pela oferta de proteína” a estas crianças é a proteína do leite de vaca.Outro dos problemas detectados no estudo nos bebés até aos três anos é o consumo excessivo de energia, com o consumo de bebidas açucaradas numa base diária a contribuir fortemente para esta realidade.Segundo Pedro Graça, 17% das crianças portuguesas com 18 meses consome refrigerantes diariamente, com o consumo diário de sobremesas a ser também elevado, de acordo com os indicadores do estudo que tem uma amostra representativa da realidade nacional.“Muitas vezes, dar doces é como um gesto de ternura, uma forma de tornar as crianças mais felizes e bem-dispostas. É importante que pais e familiares percebam que a oferta de doces desde muito cedo é nefasto para a criança”, alertou.Aliás, os especialistas vincam que a saúde da criança é pré-determinada nos primeiros mil dias de vida, que são “cruciais para o desenvolvimento da criança a todos os níveis e também ao nível dos paladares”.Como dados positivos, o responsável destaca a elevada percentagem de crianças dos 12 aos 36 meses que consomem diariamente fruta fresca (93%) e sopa (96%), embora apenas metade atinja a recomendação de cinco porções de frutos e hortícolas por dia.Em relação à amamentação, os indicadores também animaram os investigadores, mostrando que 90% das mulheres portuguesas amamenta os filhos, com a média de aleitamento materno exclusivo a chegar aos quatro meses.Entre os quatro e os seis meses há um abandono grande da amamentação, com apenas 53% das mulheres a amamentarem quando os bebés atingem meio ano, o que se deverá a factores como a reentrada no mundo do trabalho.Sobre o início da diversificação alimentar, o estudo mostrou que dois terços dos bebés começam a consumir outros alimentos além do leite entre os quatro e os cinco meses, sendo que metade fá-lo primeiro com sopa.O “EPACI - Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância ”, realizado durante o ano de 2012 com uma amostra representativa da população nacional, pretendeu avaliar hábitos alimentares nas crianças dos 12 aos 36 meses, uma faixa etária que ainda não tinha sida estudada.A análise resultou de uma parceria entre várias instituições, como faculdades, sociedades científicas, administrações regionais de saúde e Direcção-Geral da Saúde.

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