Arquivo | 20-12-2013 10:11

Director de Instituto da Língua escreve a deputados portugueses em defesa de Acordo Ortográfico

O director-executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) escreveu aos deputados portugueses em defesa do novo Acordo Ortográfico, a propósito da discussão no parlamento da petição que pede a desvinculação de Portugal do Acordo OrtográficoNa carta motivada pela discussão da petição, agendada para hoje, na Assembleia da República, Gilvan Müller de Oliveira sustenta que as novas regras permitem unificar a escrita de todos os que escrevem em português "sem contudo alterar as variantes” que “caracterizam individual e colectivamente” os países que falam português.“O texto do Acordo Ortográfico não enferma de grande número de erros e menos ainda de erros que impossibilitem a sua aplicação”, argumenta o director do Instituto criado pelos estados-membros da Comunidade dos Países de Língua portuguesa, acrescentando que estas questões “pertencem ao domínio técnico e no domínio técnico estão a ser resolvidas”.O director do IILP, de nacionalidade brasileira, esclarece ainda “alguns pontos” que lhe parecem estar a ser mal reproduzidos na imprensa portuguesa acerca do Acordo no Brasil.“A chefe de Estado do Brasil, Dilma Rousseff, não adiou a aplicação do Acordo Ortográfico no Brasil, mas apenas a data-limite para a sua aplicação plena”, frisa.Gilvan Müller de Oliveira recorda que, à semelhança de Portugal, “no Brasil o Acordo Ortográfico foi aplicado em 2009” e é, desde então, “obrigatório” nas instituições públicas, “incluindo em todos os níveis do sistema de ensino”.Está também já a ser utilizado “pela totalidade ou quase totalidade das editoras, dos meios de comunicação social”, acrescenta.“Escrevemos hoje de forma diferente do que o faziam Eça de Queirós ou Machado de Assis há pouco mais de um século sem que tal tenha trazido inconvenientes ou nos impeça de continuar a comunicar como 250 milhões de pessoas que partilham uma mesma língua”, compara Gilvan Müller de Oliveira.A Assembleia da República discute hoje uma petição a exigir a "desvinculação de Portugal ao Acordo ortográfico", uma iniciativa dos docentes Ivo Miguel Barroso, Madalena Homem Cardoso, Rui Miguel Duarte, aprovada por unanimidade, em Julho, pela comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, após relatório favorável elaborado pelo deputado Michael Seufert.Segundo os peticionários, esta é "a única forma possível de deter as nefastas consequências para a literacia de todas as gerações de portugueses que a aplicação deste desconchavado e pessimamente fundado e inútil AO90 está a causar”.Além da petição, a Assembleia da República discute, em reunião plenária, um projecto de resolução para a reavaliação da aplicação do Acordo Ortográfico.Os deputados José Ribeiro e Castro e Michel Seufert, do CDS-PP, entregaram, na quinta-feira, na Assembleia da República, um projecto de resolução no qual reivindicam a reavaliação da aplicação do Acordo Ortográfico, em Portugal.No documento, os deputados recomendam ao Governo "a criação urgente" de um grupo de trabalho sobre a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, em Portugal, para reavaliar a situação e adoptar, "eventualmente, as medidas de revisão ou de reajuste que consensualmente possam impor-se".

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