Cultura | 06-05-2009 07:43

Baptista Bastos explica porque Alberto João Jardim o levou ao tribunal

“Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido (…). Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha a merecer adequado correctivo. (…) é um despudorado, um sem vergonha da pior espécie”. Foi com estas palavras, escritas num artigo de autoria do jornalista Baptista Bastos (BB) há cerca de quatro anos sobre o presidente da Região Autónoma da Madeira, que fez com que Alberto João Jardim apresentasse queixa no Tribunal do Funchal contra BB por difamação.O jornalista explicou durante a tertúlia/debate Fatias de Cá Bar É, onde foi o orador convidado na noite de quinta-feira, 30 de Abril, no Cine-Teatro de Constância, o diferendo que teve com Alberto João Jardim, que só ficou resolvido o ano passado. BB contou como ficou indignado quando Alberto João Jardim afirmou publicamente que não queria na ilha da Madeira nem chineses nem indianos. O jornalista não gostou da afirmação e expressou a sua opinião sobre o político numa crónica publicada no Jornal de Negócios onde escreve habitualmente. Baptista-Bastos ficou ainda mais surpreendido pelo facto de ninguém ter reagido perante a afirmação do político da Madeira.Essa situação fez com que Baptista-Bastos viajasse até à ilha da Madeira para ser julgado em tribunal. No dia do julgamento, o aparato de jornalistas que esperavam polémica e confusão era grande. BB estranhava a demora no início do julgamento. Antes de começar apareceu junto do escritor um senhor com uma declaração dizendo que o assunto podia ser resolvido sem necessidade de julgamento.O jornalista apenas tinha que assinar uma declaração, o que Baptista-Bastos recusou, acrescentando que o máximo que podia fazer era acrescentar umas linhas de sua autoria àquela declaração. O que foi aceite. BB disse que “não pedia desculpa ao doutor Alberto João Jardim, não quis caluniar nem injuriar o Governador Regional da Madeira. Acrescentei ainda que o doutor Alberto João Jardim é que me injuriou, a mim e a todas as pessoas que têm, de acordo com a Constituição, um conceito nobre e digno”, esclareceu. O assunto ficou resolvido e o julgamento foi anulado. “Sou um homem de convicções e como venho de um tempo em que se falava baixinho não permito que 35 anos depois do 25 de Abril estas coisas ainda aconteçam”, disse.O escritor começou a escrever muito cedo para a secção de contos infantis “Um Conto por Dia” do jornal “Diário Popular”. O melhor conto ganhava um prémio de 10 escudos. Mas o prémio mais atractivo era ao domingo onde o conto valia 50 escudos ao vencedor. “Comecei a escrever contos com a ideia de ganhar os 50 escudos que faziam muita falta em casa. Foi assim que comecei a adestrar a mão para a escrita”, explica.Para BB as mulheres têm um papel muito importante na sua vida. “Tenho tido a sorte das mulheres me protegerem. Estou casado com a minha mulher, Isaura, há 50 anos e ela ainda hoje me protege. E se isso, às vezes, me irrita, no fundo tranquiliza-me”, reflecte referindo ser contra o ditado que diz que por trás de um grande homem está uma grande mulher. “As mulheres estão ao lado dos homens e muitas vezes estão à frente”.Para o autor de “As Bicicletas em Setembro”, o seu último romance, actualmente as mulheres é que dão cartas no jornalismo. "Neste momento há grandes jornalistas portuguesas, até a nível internacional, e não vejo por aí grandes jornalistas portugueses homens.José Niza é o próximo convidado do Fatias de Cá Bar ÉO próximo convidado do espectáculo/tertúlia Fatias de Cá Bar É que se realiza todas as quintas-feiras à noite no Cine-Teatro de Constância é o músico e compositor José Niza. O Fatias de Cá Bar É começa às 19h19 para quem opta por jantar num dos restaurantes de Constância. O preço do bilhete inclui a refeição. O espectáculo abre com um excerto de uma peça de teatro às 21h21. Em cada intervalo há sobremesas e café.

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