Cultura | 27-09-2010 15:23

A festa taurina passada à tapeçaria em exposição no Museu do Neo-Realismo

“Festa taurina”. É o título da obra de arte de Luís Pinto-Coelho passada a tapeçaria, que pode ser vista na exposição no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. O toiro do painel “Gaúcho” de Lima de Freitas também está lá. A exposição “Tapeçarias de Portalegre – expressão de arte contemporânea” foi inaugurada na tarde de sábado, 18 de Setembro, para mostrar que é possível “conciliar uma prática ancestral com a arte moderna e contemporânea, como frisou a presidente de Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha. A mostra vai estar patente até 13 de Março de 2011.A história também ficou registada por entre a trama. Painéis alusivos a Dona Inês de Castro e Dom Pedro I, no átrio do museu, obras assinadas por Costa Pinheiro, convidam a um visita à exposição. “A tapeçaria é sempre uma obra de arte. Não só porque se baseia numa pintura, às vezes numa instalação ou numa colagem, sempre de um artista reconhecido, mas até pela maneira como ela é feita”, explicou a O MIRANTE a curadora da exposição, Vera Fino, directora da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre.A obra de arte inicial é passada para um desenho de tecelagem por uma desenhadora. A obra final tem que reflectir a obra inicial e o artista tem que a reconhecer como sua, não fosse o próprio a dar-lhe o nome, não só em assinatura tecida, mas numa assinatura feita pelo próprio punho e cosida como etiqueta na obra. O algodão egípcio é usado na teia e a lã austaliana na trama. A exposição dá a conhecer alguns trabalhos de tapeçaria que adaptam obras de artistas neo-realistas, mas não só: do surrealismo ao abstraccionismo, passando pela “nova figuração” dos anos 60 e 70 e por trabalhos mais recentes, como os de Lourdes Castro, Jorge Martins, Armando Alves ou Graça Morais, entre outros. Artistas ligados ao movimento neo-realista português, como Júlio Pomar, Lima de Freitas ou, mais tarde, Rogério Ribeiro, colaboraram com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre nos seus primeiros anos de actividade, facilitando assim um contacto mais directo com a arte e, no caso específico, com a mensagem neo-realista.A Manufactura das Tapeçarias de Portalegre produziu, até hoje, mais de 3.300 peças, num total de 12.420 metros quadrados, com base na obra de mais de 200 pintores nacionais e estrangeiros. Em Portugal podem encontrar-se Tapeçarias de Portalegre em diversos espaços e instituições, bem como em inúmeras casas particulares e empresas, desde a Presidência da República a Museus, Bancos, Fundações, Hospitais, Igrejas ou Tribunais. As peças estão espalhadas por todo o mundo, sendo que a maior colecção particular está nos Estados Unidos da América.

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