Cultura | 30-07-2011 00:10

Artemrede em risco devido aos atrasos no financiamento do QREN

A directora da Artemrede - Teatros Associados, Marta Martins, admite que é preciso "fazer-se uma avaliação sobre o número de teatros existentes, sobre as condições em que funcionam" e sobre uma "sobreposição de oferta". A responsável reagia às declarações do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, sobre a existência de um excesso de equipamentos culturais no país e o seu sub-aproveitamento."Concordo que nos últimos anos assistiu-se a uma multiplicação de equipamentos por todo o país e que surgiram sem um projecto prévio, uma equipa e um orçamento dimensionado às condições do equipamento", disse. A Artemrede é uma estrutura criada há seis anos constituída por 16 associados: 15 municípios, como Abrantes, Alcanena. Barreiro, Cartaxo, Montijo, Santarém e Torres Vedras - e uma escola, o Externato Cooperativo da Benedita.A empresa apoia, por exemplo, as autarquias na programação cultural e na gestão dos espaços municipais e recebe financiamento do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, no âmbito do Regulamento Equipamentos Culturais/Programação Cultural em Rede. Para Marta Martins, mais do que "estar preocupado com números, se a sala tem pouco público, ou poucos espectáculos exigidos pelo QREN, é importante perceber o que é que estas salas estão a fazer há anos, às vezes com as condições mínimas e totalmente com dinheiros municipais"."Têm criado uma verdadeira relação de proximidade com a população local e que não existiria de outra forma", disse a directora executiva. A Artemrede vive actualmente uma situação de risco por causa da falta de pagamento dos financiamentos do QREN.Em Maio, Marta Martins disse que a estrutura "apenas recebeu cerca de sete por cento do valor total do financiamento aprovado", tendo assumido a quase totalidade dos custos com a execução da programação cultural prevista.A responsável recordou que a programação cultural em rede da entidade recebeu financiamento comunitário até 2008 por via do Programa Operacional da Região de Lisboa e Vale do Tejo. Em 2009 e 2010 candidatou-se ao QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional, no âmbito do Regulamento Equipamentos Culturais/Programação Cultural em Rede. Esta candidatura, por abranger municípios localizados em regiões geográficas distintas, envolve três Programas Operacionais: PORLisboa, MaisCentro e InAlentejo.De acordo com Marta Martins, a candidatura foi aprovada nos três programas operacionais, com uma taxa de financiamento a 60 por cento, permitindo uma comparticipação de cerca de 650 mil euros através do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), mas até agora só receberam cerca de 50 mil euros."Está em causa a sobrevivência da primeira rede de programação cultural a ser formalmente formada em Portugal", alertou a directora executiva sobre o impacto dos atrasos nos pagamentos, que dificultam o cumprimento de compromissos assumidos com os teatros e outras companhias artísticas. Marta Martins tenciona pedir uma reunião com a tutela da Economia para tentar desbloquear a situação, disse.

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