Economia | 14-12-2010 07:25

O bom exemplo da Companhia das Lezírias

O eurodeputado comunista João Ferreira apontou na sexta-feira a Companhia das Lezírias como um bom exemplo de uma empresa pública lucrativa, com responsabilidade social e respeitadora do ambiente. Após uma visita às instalações, em Samora Correia, o político não poupou nos elogios: “A Companhia das Lezírias é o desmentido vivo e cabal das ideias que se procuram difundir que a gestão pública é ineficiente e perdulária”.João Ferreira sublinhou aos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada na sede do PCP em Santarém, que a Companhia das Lezírias há 10 anos consecutivos que apresenta lucros, distribuindo metade desses proveitos ao seu único accionista, que é o Estado, reinvestindo o restante.O eurodeputado realçou ainda que a maior empresa agro-pecuária do país, a par dos excelentes resultados de produção, tem também preocupações sociais e promove o equilíbrio ambiental nas suas explorações, respeitando a biodiversidade. Mesmo assim, disse João Ferreira, a empresa debate-se com algumas dificuldades resultantes do “esmagamento dos preços na produção” causado pelas redes de distribuição que abastecem as grandes superfícies comerciais e também às dificuldades em escoar a produção fora desse meio. E recordou que o PCP tem proposto medidas para intervir nesse sistema e forçar uma distribuição mais equilibrada do valor acrescentado ao longo de todo o sistema, desde a produção à distribuição e comercialização. João Ferreira visitou ainda as instalações da Sumol+Compal, em Almeirim, uma empresa com grande ligação ao sector primário e onde, segundo disse, se sentem os efeitos nocivos da política agrícola nacional e europeia que a obrigam a importar cerca de metade da sua matéria-prima para sumos de frutas como a pêra e o pêssego. Uma situação decorrente do incentivo ao abate de pomares, apontou. “Não há falta de açúcar em Portugal” Na mesma conferência de imprensa, a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo, que visitou as instalações da associação de agricultores Agromais, em Riachos (Torres Novas) e a fábrica de açúcar da DAI, em Coruche, disse ter visto com os seus próprios olhos que não há falta de açúcar em Portugal nem razões plausíveis para esse produto estar a ser racionado nos supermercados. “Vimos na visita à fábrica um grande silo com 50 mil toneladas de açúcar”, garantiu Ilda Figueiredo, que apontou a DAI como um exemplo nefasto da Política Agrícola Comum (PAC). A unidade foi criada para transformar beterraba sacarina, dando-se incentivos aos agricultores da região para apostarem na produção da matéria-prima. Mas, passados uns anos, a Comissão Europeia diminuiu a quota de açúcar de beterraba atribuída a Portugal, o que tornou a fábrica inviável. O recurso foi adaptá-la à refinação de açúcar de cana. “Diminuiu-se a produção e o emprego e a fábrica só não encerrou porque arranjou alternativa”, disse, considerando positivo que a administração tenha conseguido manter a unidade em funcionamento.

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