Economia | 06-11-2013 11:16

Lusofane foi vendida a empresa concorrente e tudo indica que será desmantelada

Lusofane foi vendida a empresa concorrente e tudo indica que será desmantelada

O estranho caso da venda da Lusofane no Cartaxo que não se sabe se vai ser reactivada. Caixa Geral de Depósitos não se opôs à venda da empresa inviabilizando interesse de investidores luso-angolanos. Desde que a empresa foi vendida que os cerca de 40 trabalhadores esperam por notícias.

A Lusofane foi recentemente vendida num processo de insolvência por 1,8 milhões de euros, quando o valor base estava em três milhões. A venda da empresa de capitais espanhóis, sediada em Vila Chã de Ourique, Cartaxo, teve a concordância do banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), enquanto maior credor, e de outra entidade pública, a Segurança Social, que faziam parte da comissão de credores. A Politejo foi a empresa que conseguiu ganhar o negócio. De fora ficou um grupo investidor de portugueses e angolanos que se viram impedidos de apresentar uma proposta que se adivinhava mais vantajosa para o futuro da fábrica e dos 40 postos de trabalho. Os trabalhadores da Lusofane continuam no desemprego e dizem que não têm qualquer informação sobre o futuro da empresa.O MIRANTE teve acesso a uma carta enviada à administração da Caixa Geral de Depósitos, em que o grupo empresarial com capitais portugueses e angolanos, na sequência da proposta de compra por parte da Politejo, pediu cinco dias para analisar a situação no sentido de fazer uma contraproposta, mas a solicitação não foi aceite. Situação que o representante destes investidores, na carta dirigida ao presidente da CGD, diz ter inviabilizado um projecto de reactivação da fábrica de tubagens que a instituição financeira nunca mostrou interesse em conhecer. A CGD, em declarações a O MIRANTE, diz que a venda à Politejo foi proposta pelo administrador de insolvência com base na melhor proposta que lhe chegou. E que a decisão de não reabrir o leilão coube ao administrador nomeado pelo tribunal embora reconhecendo que a Caixa não se opôs.Sobre o valor da venda da fábrica, que existia há mais de 60 anos, a maior parte será para pagar indemnizações aos trabalhadores e dividas à Segurança Social. Segundo O MIRANTE apurou, os trabalhadores da fábrica lutaram até onde lhes foi possível para que a fábrica fosse vendida a um grupo que assegurasse a sua continuidade e a manutenção dos postos de trabalho. Vítor Antão, ex-trabalhador da Lusofane, diz que desde a venda da fábrica à Politejo que não sabem nada, que não há indícios de estar a laborar e que dos antigos funcionários a Politejo terá recrutado apenas dois. Segundo alguns trabalhadores, há sinais de que estejam a desmantelar uma máquina nova comprada com apoios estatais e de fundos europeus pouco tempo antes da insolvência.Da carta enviada à GGD, conclui-se que com a decisão de não conceder um prazo para apresentação da proposta luso-angolana, perdeu-se a possibilidade de a massa insolvente ter encaixado mais dinheiro ou vir a recuperar as dívidas com a laboração da fábrica e a manutenção dos postos de trabalho. O representante destes investidores, que preferem ficar no anonimato, considera que a Caixa, com a venda que foi feita, vai acabar por receber um valor residual em relação aos créditos que tinha. Os trabalhadores têm a mesma opinião e por isso manifestaram-se recentemente à porta do banco e do escritório do advogado de Santarém, Oliveira Domingos, que representava a Caixa no processo.O representante dos investidores em causa fala em factos estranhos e falta de transparência e que a vontade dos trabalhadores foi ignorada pela comissão de credores. A Caixa não nega o interesse do referido grupo na compra da Fábrica mas assume “desconhecer quem são os investidores angolanos que eram representados no processo”. Na resposta às perguntas de O MIRANTE, a CGD assume “desconhecer o projecto da Politejo para a recuperação da Lusofane”, acrescentando que “não tem de conhecer já que a unidade fabril foi vendida pela melhor oferta que chegou ao administrador de insolvência”.A Politejo é um grupo da mesma área da Lusofane, dedicando-se ao fabrico de tubos e acessórios termoplásticos. Segundo o site da empresa, criada em 1978, é actualmente líder nacional no sector e no âmbito do processo de internacionalização iniciou a construção de uma unidade fabril no Brasil. O MIRANTE tentou contactar a Politejo mas até ao fecho da edição não conseguiu chegar à fala com a administração.

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