Economia | 22-03-2018 19:40

Estação Zootécnica Nacional com 20 projectos de investigação em curso

Os 20 projectos de investigação aprovados contam com financiamento de perto de dois milhões de euros.

A Estação Zootécnica Nacional (EZN), em Santarém, tem aprovados 20 projectos de investigação, com um cofinanciamento de perto de dois milhões de euros, que permitem retomar a dinâmica que fez deste pólo referência na investigação em produção animal.

“Se pensarmos que em 2016 tínhamos um projecto em curso, estamos com uma dinâmica muito boa, [com] um esforço muito grande” da equipa de 14 investigadores e nove técnicos superiores, disse à Lusa Olga Moreira, a coordenadora do Polo de Santarém do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), que recentemente recuperou o nome da EZN, pelo qual ainda é conhecido na região.

A EZN, única infraestrutura do país vocacionada para a investigação e experimentação nas áreas de sistemas de produção, reprodução e melhoramento animal, está instalada na Fonte Boa, no Vale de Santarém, numa quinta com 240 hectares.

Investigadores da EZN estão a trabalhar em projectos como a utilização de larvas de mosca soldado negro para a valorização de resíduos da agricultura; a substituição de cereais por subprodutos das agro-indústrias na formulação de dietas para a engorda de borregos e de bovinos produzindo carne de qualidade diferenciada; e o controlo do parasitismo intestinal e de vegetação combustível, ao estudar as dietas seleccionadas por cabras em pastoreio, numa lógica de reaproveitamento de recursos (economia circular).

Olga Moreira disse que muitos dos projectos em curso procuram já responder aos objectivos identificados para o Centro de Excelência para a Agricultura e a Agroindústria, estrutura a criar em parceria com um vasto conjunto de instituições, protocolada em Abril de 2015 mas que aguarda financiamento comunitário para poder avançar, e que ambiciona funcionar como um “interface” com o tecido empresarial.

O projecto-piloto sobre o uso dos insectos envolve já três empresas, associações de agricultores e a EZN. Uma das empresas (Ingredient Odyssey) produz as larvas, a Agromais fornece os subprodutos agrícolas que iriam para aterro – as primeiras 10 toneladas foram de resíduos de cebola e de batata – e os investigadores estudam o uso das larvas (“engordadas” no processo de transformação dos subprodutos em fertilizantes agrícolas) para a alimentação animal.

“O seu uso está já autorizado para ‘pet food’ e para aquacultura, aguardando-se autorização para introdução na alimentação de aves”, disse Olga Moreira, sublinhando o “teor de proteína muito elevado” deste componente.

No âmbito deste projeto, além da caracterização química das larvas, os investigadores estão agora a estudar a digestibilidade das larvas em modelo de simulação para porcos e a ensaiar a substituição da soja por farinha de insectos na alimentação de frangos em engorda, avaliando ainda o impacto ambiental.

Olga Moreira destacou outra investigação em curso que visa utilizar subprodutos agroindustriais para a promoção e valorização da carne de ruminantes e que passa pela engorda de borregos com dietas em que os subprodutos da agroindústria (nomeadamente de citrinos, de beterraba e de soja) são utilizados em substituição dos cereais. O objectivo é obter carnes com maior valor nutricional, numa experimentação que será alargada em maio a bovinos.

Ainda na lógica da economia circular, no Grupo Operacional GoEfluentes, estão também a ser usadas larvas de mosca soldado negro para a transformação de efluentes em resíduos orgânicos para fertilização agrícola. Neste caso, as larvas não podem ser destinadas para alimentação animal, mas podem ser usadas para biocombustível.

Neste grupo estão envolvidos 11 parceiros, incluindo entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional; associações de criadores (FPAS e ACBRF); industriais de alimentos compostos para animais; produtores de bovinos, de suínos e de aves (Valorgado, Lusiaves); e empresas, com o objectivo de reduzir e valorizar os fluxos gerados na actividade agropecuária intensiva.

No projeto das cabras em pastoreio, estão a ser analisadas a vegetação que estas seleccionam numa área arbustiva mediterrânica para avaliar o seu efeito na melhoria da eficiência produtiva dos animais e no controle do parasitismo intestinal por métodos naturais.

A EZN participa ainda numa acção de dimensão europeia, relacionada com a castração de suínos e sua relação com o gosto da carne de porco, e que permite o intercâmbio de jovens investigadores com permanências que variam entre uma semana e três meses em diferentes centros de investigação europeus.

Frisando que estes projectos financiam a investigação mas não permitem investimentos estruturais, Olga Moreira referiu a importância da recuperação das infraestruturas da Fonte Boa, só possível com um “projecto estruturante” como o Centro de Excelência para a Agricultura e a Agroindústria, que tem entre os seus fundadores, além do INIAV e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, o Instituto Politécnico de Santarém, as Universidades de Lisboa e de Évora, o Agrocluster do Ribatejo e a Associação Empresarial da Região de Santarém.

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