Economia | 15-07-2018 18:16

Alunos contrariam preconceito do ensino profissional

Alunos contrariam preconceito do ensino profissional
João Neto, Catarina Mendes e João Batista são alunos do terceiro ano

Catarina Mendes, João Neto e João Batista frequentam o terceiro ano do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves, em Alverca.

Na Escola Secundária de Gago de Coutinho, em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, há um curso que nasceu para contrariar o preconceito de que para o ensino profissional só vão alunos que não têm aptidão para frequentar o ensino regular. A opinião é de Catarina Mendes, 17 anos, João Neto e João Batista, ambos com 19 anos, alunos do terceiro (e último) ano do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves (TMA).
O estigma que existe pelo ensino profissional não intimidou estes jovens, que tiveram de enfrentar comentários negativos sobre a escolha que faziam no seu seio familiar. Catarina diz-se apaixonada por mecânica e foi no final do ensino básico, que decidiu candidatar-se ao TMA. Contou com o apoio do pai mas a mãe achou que iria ser algo passageiro e que mais tarde a filha trocaria de curso.
Com João Neto o cenário foi semelhante, pois por causa do preconceito com os cursos profissionais, a sua mãe não queria que ele seguisse essa via de ensino. Agora, diz o aluno, a mãe apoia-o a cem por cento e sabe que o mercado de trabalho está de portas abertas para o receber.
A visão deste trio de finalistas é clara: o ensino profissional tanto é para jovens que querem entrar no mercado de trabalho mais cedo, como para aqueles que querem seguir o ensino superior. Só não é para aqueles que querem terminar de uma forma mais fácil o ensino escolar obrigatório (12º ano). Quando entraram, a turma somava 30 alunos e acabaram 21. “Ainda há muita gente com o pensamento que vem para um curso profissional porque é fácil, ou porque querem acabar o 12º ano, mas depois de entrarem sentem dificuldade e desistem”, sublinha João Batista.
Dois deles chegaram a frequentar o 1º ano do curso de Ciências e Tecnologias, do chamado ensino regular, mas rapidamente perceberam que aquilo não lhes dizia nada, sempre que perspectivavam o seu futuro. O problema? “Não é muito direccionado para uma área, torna-se muito subjectivo, sem grandes aprofundamentos”, explica João Neto.
Também o seu colega de curso reconhece que era “muito geral”, com disciplinas que até podiam ser interessantes mas que não lhe “diziam nada quanto a questões futuras”. “Sempre quis ingressar por um ramo mais ligado à mecânica e quando tomei conhecimento da existência do curso de TMA e da oportunidade de estagiar numa empresa ligada ao ramo (OGMA) e da saída profissional que tinha não hesitei”, disse o finalista a O MIRANTE, sublinhando que nunca se havia dedicado tanto à escola como nos últimos três anos.

Emprego garantido
Neste curso, quem passa na prova de aptidão profissional e obtém média final igual ou superior a 14 valores tem acesso directo a um ano de estágio remunerado na OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal. Inúmeros são os exemplos de sucesso, de colegas que ficaram a trabalhar na OGMA e de outros que estão noutras grandes empresas de aviação nacionais e internacionais, dizem os finalistas. No total, a OGMA já recebeu 392 alunos e emprega actualmente 39 antigos formandos do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves da Escola Secundária Gago Coutinho.
“Não é difícil conseguir emprego nesta área. Este é um curso muito técnico, especializado, com rumo traçado. Aqui aprendemos a prática e a teoria. Quem tiver mais estudos do que nós também pode ter facilidade em desempenhar cargos numa empresa como a OGMA, mas nós já estamos no meio, já temos a experiência. Acabamos por dificultar a vida a quem queira entrar na área”, terminam os alunos.
O presidente e CEO da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, Marco Tulio Pellegrini, destaca a oportunidade dada por este curso aos alunos, de realizarem um estágio na OGMA, “contactando com a realidade concreta do trabalho desenvolvido na empresa” e o “envolvimento directo de colaboradores da OGMA”, na formação teórica dos alunos.

OGMA cria academia

A empresa prepara-se para lançar uma nova aposta na área da formação: a Academia OGMA. Considerando a qualificação e experiência das pessoas do ramo da aeronáutica fundamentais para o seu desenvolvimento, a OGMA refere que é fundamental apostar na formação e certificação de novos profissionais, “ligando o sistema de educação às necessidades específicas das empresas do sector”. Reconhece que a “indústria a nível global precisa de mais técnicos e de mais mecânicos para dar resposta às necessidades futuras de manutenção de aeronaves”, com previsões a apontar para um crescimento de 40 por cento de procura de transporte aéreo, na Europa.

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