Educação | 22-03-2005 17:53

Crianças limpam sobreiral centenário da Escola Superior Agrária

Duas dezenas de alunos do ensino básico limparam ontem um pequeno sobreiral centenário, com pouco mais de um hectare, uma relíquia da Escola Superior Agrária de Santarém que acolheu a iniciativa para assinalar o Dia da Árvore.Apesar da chuva, os alunos da escola básica de primeiro ciclo dos Combatentes "ajudaram" a floresta, apanhando o lixo dissimulado no pequeno bosque da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS).Os estudantes aprenderam que o perigo para aquele habitat não vem das ervas que crescem sob os sobreiros mas sim das acácias, as "exóticas invasoras" que ameaçam as outras espécies.Os tojos, com as suas flores amarelas, as madressilvas, o sanguinho, os medronheiros, a murta, os espargos bravos são algumas das espécies que Natália Gaspar, docente da ESAS, ajudou a identificar no bosque que se mantém desde a fundação da escola, no final do século XIX, e que é "uma amostrinha" de um sobreiral típico do Ribatejo, da Beira Litoral ou do Alto Alentejo."O sobreiral distingue-se do montado de sobro porque tem herbáceas para a pastagem e menos árvores. Tem o estrato completo em termos de bosque, sem qualquer intervenção humana", afirmou a docente, sorrindo ao citar colegas de outras áreas que sugeriram a "limpeza" do bosque com o corte das ervas devido ao perigo dos incêndios.Para esta bióloga, o perigo vem das acácias, que se multiplicam com o calor e eliminam as outras espécies, uma praga que já chegou ao bosque da Agrária e que terá de ser alvo de uma intervenção que passará pelo corte e pincelamento com um herbicida potente e inofensivo para o ambiente e para o utilizador. As acácias cortadas acabam por ter uma utilidade, são vendidas para lenha, uma receita que se junta à da venda da cortiça que vai sendo retirada dos sobreiros, adiantou."Aqui está tudo em equilíbrio, é preferível não mexer", disse, lembrando que a esta flora surge associada a vida de espécies animais como o porco-espinho ou a salamandra.Na outra margem do Tejo, na charneca, existe um outro tipo de sobreiral, que cresce nas areias soltas, ao qual surgem associadas outras espécies, disse. Além da "operação de limpeza", as crianças plantaram uma dezena de árvores e assistiram à ordenha das vacas.

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