Entrevista | 07-01-2010 10:48

“O PS acumulou erros e perdeu bem a Câmara de Santarém”

“O PS acumulou erros e perdeu bem a Câmara de Santarém”
Trinta e seis anos após ter saído da aldeia da Romeira, Rui Madeira é hoje o director do Theatro Circo de Braga, cidade onde concedeu a entrevista a O MIRANTE, depois de em Novembro ter recebido em Santarém o Prémio de Teatro Santareno. Regressa com regularidade à cidade que o viu nascer. Refere que Santarém “está a esquecer alguns marcos culturais”, diz que o PS perdeu bem as eleições no concelho e considera os políticos “cada vez mais incultos”. Que relação mantém com Santarém?Desapaixonada. Nasci lá mas vivo bem fora de Santarém, onde mantenho grandes amigos. Um morreu recentemente: o professor Albino Maria. Homem íntegro, fantástico que contribuiu imenso para aquela região e deu muito a Santarém.Que visão tem da cidade?Está por resolver um paradigma que depois do 25 de Abril ficou por solucionar. A cidade perdeu matriz e identidade. Pela proximidade de Lisboa e pela saída de muitas pessoas. Hoje vive-se esse drama. É uma cidade deserta à noite. Gostava que Santarém tivesse uma outra dinâmica. Mas este é um olhar de fora. A cidade precisa de um projecto virado para dentro, que a afirme. É um problema que ultrapassa a questão político-partidária. É mais estratégico e complexo. De futuro e não do momento.Como assim?A questão terá de passar por rever o que é que se quer da cidade daqui a 20 anos e como é que se a projecta para daqui a duas décadas. Quais são as duas ou três linhas estratégicas. Temos de parar e pensar.Faltam essas linhas estratégicas?Não as vejo. Mas também não as há para o país. E ninguém questiona isso. É um problema do estado a que isto chegou. Os políticos são responsáveis mas os cidadãos também. Não há uma cultura de cidadania em Portugal. Defendo que o país tem de crescer a partir das cidades médias. Mas o que me aflige hoje em Santarém é às sete da tarde ver a cidade deserta. Sinto-me mal. Mas sei que é um problema que não se pode resolver no imediato. Chateia-me também ver a Ribeira de Santarém a cair. Digo a brincar que sou da cidade que tem o maior centro histórico português. Todo o núcleo central da cidade é centro histórico porque ao longo dos anos nada foi feito. Há ruas em Santarém que são assim desde sempre. A cidade parou no tempo.Não me esqueço de um debate sobre a regionalização em que estava o Noras (ex-presidente da Câmara de Santarém) e a Isabel Damasceno. A presidente da Câmara de Leiria passou o programa todo a dizer que as pessoas de Santarém não faziam nada. E a passividade com que o Noras, que é meu amigo, aceitou aquilo foi de uma pessoa derrotada. Essa ideia irrita-me e não gosto que digam mal da minha terra. Gostava que Santarém reganhasse uma ideia de cidade porque tem condições.Esse caminho está a ser trilhado?Antes do 25 de Abril, Santarém tinha uma vida cultural, cívica e social maior do que a que tem hoje. Mas Braga, antes da revolução, também tinha uma outra identidade cultural muito mais marcada pelo regime. Hoje tem uma outra identidade cultural porque se renovou. É verdade que tem condições e potencialidades diferentes. Mas também está mais próxima do Porto do que Santarém de Lisboa. E, hoje, Braga vive por si e não por causa do Porto. Há muita gente do Porto a trabalhar em Braga e vice-versa. Só o Centro de Nanotecnologia que aqui está vai trazer 400 cientistas de todo o Mundo. Pode ler a entrevista na íntegra na edição impressa desta semana.

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