Opinião | 05-11-2015 11:21

Equívocos

Equívocos
Muito mais que outra coisa qualquer o nosso país é um paraíso de equívocos. Todos os conhecemos e sentimos. Um dia alguém os deveria inventariar e escrever como forma de os banirmos, de vez, do nosso quotidiano.Uns tempos depois de 1974, pelo exemplo e curiosidade que o nosso processo revolucionário despertou no mundo, um militar protagonista foi convidado a ir à Suécia contar a “história”. Em pleno parlamento sueco, perante os deputados e governantes, o português afirmou que a “revolução dos cravos em Portugal estava a acabar com os ricos”. Os suecos não queriam acreditar no que ouviam; por muitas explicações que fossem dadas, não compreendiam. Em plena fase de implantação da social-democracia, contestaram afirmando que tudo faziam para tentar acabar com os pobres e não com os ricos. Este episódio mostra o país que somos e como vivemos. Como todos teremos dado conta, recentemente, foram divulgados dados sobre o aumento do número de famílias que caíram na situação de pobreza, que não conseguem pagar a água e a luz e passam carências alimentares; podemos concluir que, há quase 40 anos, o nosso militar tinha razão e que continuamos no “bom caminho”.Vivemos num país onde determinados grupos de interesse só existem porque há pobreza real e estrutural em grandes quantidades, um país com baixa cultura apesar de a escolaridade ter melhorado bastante. Somos um povo que não lê, não observa e, sobretudo, não pensa, acomoda-se. A escola não ensina a pensar e muito menos a desenvolver a capacidade de análise crítica. Só assim é possível que os inquilinos sejam contra os senhorios e vice-versa, que os empregados sejam contra os patrões, etc. Aliás, esta nossa cultura do binómio “patrão-empregado” que atravessa a nossa sociedade também é muito curiosa, de profundamente retrógrada e primitiva que é.Recentemente, participei em Oeiras na 5ª edição da CIEM ‘ 15 – empreender para vencer (www.empreend.pt). Um dos momentos altos foi ouvir Miguel Pina Martins, um rapaz de trinta e picos anos, fundador e CEO da Sience4you (os brinquedos científicos que vimos por todo o lado). Há oito anos o Miguel fundou a empresa com mil euros, hoje fatura 12 milhões e em dois anos quer atingir os 20 milhões. Sem power point, o Miguel ensinou, muito claramente, a receita: paixão, trabalho árduo, persistência. Para chegar ao sucesso é só isto. Quem quiser criar riqueza deve aplicar esta fórmula, mas atenção, há sempre um “mas”, dá trabalho. Os equívocos, tão próprios desta terra, apenas nos garantem pobreza e miséria. Obviamente que nada disto é por acaso e não somos piores que os outros. Por alguma razão o trabalho dos nossos emigrantes é apreciado.Cada vez gosto mais da ideia que o país é aquilo que fazemos.Carlos A. Cupeto

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