Opinião | 03-08-2017 10:17

Cidadania e Governança: as eleições e o desenvolvimento local

Em tempo de reflexão autárquica, centrados no futuro que pretendemos para as nossas comunidades, é importante perceber que estratégias de desenvolvimento local propõem os candidatos.

No contexto dos processos de globalização, vários desafios se têm vindo a colocar às pessoas, em termos dos seus interesses individuais, na perspetiva da sua vida quotidiana e no relacionamento com a sua comunidade. Questões como as alterações climáticas, educação, lazer, cultura, turismo, e a inovação e o empreendedorismo local, são centrais para garantir a qualidade de vida e bem-estar das pessoas de hoje e das gerações futuras.

A construção de comunidades de interesses e a sua organização em rede constitui-se como uma estratégia agregadora de sinergias e catalisadora do desenvolvimento local. Vários estudos e diretrizes institucionais, tanto nacionais como internacionais referem a sua importância, particularmente quando inserida no contexto da globalização.

A interiorização e transposição para o terreno de conceitos como “cidades verdes”, “cidades sustentáveis”, “cidades inteligentes”, “comunidades organizadas” e, ainda, as apostas na agricultura biológica e sustentável, nas energias renováveis e limpas, na alimentação saudável, na conservação do ciclo biológico das terras, são modelos experimentados e exemplos de grande sucesso em muitas comunidades.

Estes modelos, de comunidades de interesses, têm a vantagem, por um lado, de tirar proveito dos recursos existentes, de capitalizar recursos humanos, naturais, culturais e históricos existentes nas comunidades e, por outro lado, de promover a criação de sociedades mais abertas, com maior autoestima, sustentadas na valorização do seu património humano, cultural, histórico, identitário, considerados fatores fundamentais para a vida humana e para o fortalecimento da qualidade de vida nas comunidades.

Em tempo de reflexão autárquica, centrados no futuro que pretendemos para as nossas comunidades, é importante perceber que estratégias de desenvolvimento local propõem os candidatos. Perceber de que forma irão aproveitar e explorar os aspetos favoráveis que os processos de globalização (económica, cultural e política) vão introduzindo no nosso quotidiano, ou, como se propõem criar as condições necessárias para que, em contraponto com a globalização, possam gerar prerrogativas para um desenvolvimento local sustentável.

A promoção da melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das populações está, por norma, enraizada nos produtos endógenos e nas capacidades e competências locais. Com base nestas referências distintivas de comunidade, é fundamental garantir a existência de mecanismos de interatividade, para partilha de informação e de conhecimento, para divulgar linhas de investigação de produtos e serviços já ativos e para divulgar novas oportunidades de negócio que vão surgindo. A orientação institucional, o aconselhamento especializado, bem como, a criação de um centro de serviços partilhados com a função de responder às necessidades de sustentabilidade e da partilha de interesses, entre outras valências, poderão ser o suporte dos propósitos definidos em conjunto, assim como, oferecer a garantia de uma regular comunicação entre toda a comunidade e entre as comunidades da região e do mundo.

Será importante perceber como os candidatos se propõem dinamizar a comunidade, de que forma irão garantir que a sociedade civil e o tecido empresarial se possam constituir como principais agentes operacionais do desenvolvimento local sustentável.

É expectável que os candidatos autárquicos apresentem soluções urbanas para reunir as pessoas em torno do lazer e da cultura. Este desígnio é uma ótima forma de combater a xenofobia e a exclusão, de promover o cosmopolitismo e as relações entre as pessoas, venham elas de onde vierem e tenham elas que referências tiverem. O lazer e a cultura são sectores com forte crescimento, no âmbito da economia cultural. As “indústrias culturais”, do lazer e do turismo têm vindo a tornar-se importantes alavancas do desenvolvimento para as cidades; com efeito, elas têm vindo a representar uma fatia muito relevante da economia urbana das cidades, um pouco por todo o mundo.

É preciso perceber, em relação a cada uma das autarquias, quais são os desafios que os candidatos consideram mais prioritários. Desafios que implicarão, certamente, a necessidade de entendimentos intermunicipais. Por exemplo, no âmbito da dinâmica socioeconómica, poderiam criar laboratórios regionais, numa lógica de incubação de projetos e de iniciativas de inovação, aproveitando sinergias e ganhos de escala, envolvendo centros de saber e associações empresariais, concentrados num objetivo de interesse comum.

Em suma, o cidadão quererá estar atento aos programas eleitorais autárquicos, saber como os candidatos se posicionam e propõem soluções, não só para os atuais problemas mas, também, para gerar condições promotoras de um futuro sustentável da comunidade que se propõem representar.

José Fidalgo Gonçalves

Investigador Católica-CESOP, Lisboa

Ago.2017

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