Opinião | 05-05-2019 12:30

Com uma pizza à frente da pachacha!

Com uma pizza à frente da pachacha!
OPINIÃO

Emails do Outro Mundo


Destemperado Serafim das Neves
Já visitei a página do Facebook “Inês Barroso chocada com cenas”, em que uma fotografia da vereadora do PSD na Câmara de Santarém, que a mostra a olhar de lado com ar de dúvida para qualquer coisa, é usada vezes sem conta, junto a várias fotos, algumas das quais de pessoas com pouca ou nenhuma roupa, a taparem pachachas e pirilaus com pizzas. Quem se deu ao trabalho de criar aquela página falsa só falhou no nome da coisa. Se Inês Barroso ficou chocada não foi com as cenas das foto montagens mas com a dramática falta de bestunto do autor.

Ficou ela e fiquei eu. Se não tivesse visto nem acreditava que há pessoas com cérebros assim tão áridos a ponto de um qualquer deserto parecer mais fértil. Ao ver aquilo percebi melhor o que quis dizer o jovem António Rolo Duarte, durante o Prós e Contras sobre o 25 de Abril, quando afirmou que a educação e as universidades portuguesas são uma anedota e uma tragédia.

Confirmei o que me tinhas dito sobre a exclusão do concurso para guarda florestal de candidatos carecas, gagos, desdentados, estrábicos, bem como de portadores de hemorróidas volumosas, micoses e alterações anatómicas do pavilhão auricular. Espero que não seja o caso do autor da página do Facebook “Inês Barroso chocada com cenas”. É que não tendo ele qualquer futuro naquela área, sempre poderá ir guardar matas lá para o Gerês.

Em Ourém, a habitual sessão do aniversário do 25 de Abril foi transformada numa normal sessão com Ordem de Trabalhos para discussão. O líder da bancada do PS, José Alho, protestou. O Presidente da Assembleia disse que a decisão tinha sido tomada democraticamente. E mais nada!

Se virmos bem, era completamente impossível discutir o Relatório de Gestão e Prestação de Contas do Município referentes ao ano económico de 2018, a 1ª revisão orçamental referente a 2019 e a proposta de contratos de apoio às IPSS’s para a aquisição de viaturas, ou a descentralização de competências, noutro dia. E quem disser o contrário mente. Assuntos daqueles só mesmo no dia da Liberdade!! Afinal foi para aquilo que foi derrubado o fascismo há 45 anos. Para aquilo... e para muito mais!

As reuniões do executivo municipal do Entroncamento começam, religiosamente, com a leitura, pelo presidente da câmara, de uma copiosa lista de acontecimentos em que participaram, ele próprio e os vereadores da maioria socialista.

Ali são referidas, com indicação da data e do período do dia, inaugurações, reuniões, aniversários, sessões solenes e não solenes, idas ao teatro e a recitais, almoços, lanches e jantares e outras coisas mais.

A oposição, que tentou, sem sucesso, eliminar aquela interessantíssima parte lúdica, das sessões quinzenais, tem demonstrado alguma curiosidade sobre um ou outro evento e por vezes quer saber o que lá se passou mas, curiosamente, nunca se interessou pelos nacos mais suculentos da lista, o que é lamentável.
Não haver um vereador opositor que tenha alguma vez perguntado qual tinha sido a ementa de um almoço ou jantar, das dezenas e dezenas que foram comidos, à borla, pela maioria socialista, ao longo dos últimos seis anos, mostra bem as suas fragilidades políticas. E já nem vale a pena criticar que nem sequer tenha havido uma perguntinha ou outra sobre os chefes cozinheiros que confeccionaram tais refeições e fizeram o empratamento.

Diga-se que também nunca foi feita qualquer pergunta sobre quais as peças de teatro a que o presidente e vereadores já assistiram e qual o desempenho dos actores mas isso até se compreende porque é muito fácil alguém adormecer a meio de uma coisa daquelas mas os envolvidos nas actividades camarário-gastronómicas, não têm cara de quem adormece à frente de um belo arroz de pato ou com um copo de um tinto reserva de Alcanhões nas unhas.

A Polícia de Segurança Pública já tem 17 sindicatos e, pelo que li, o último a ser formado só tem dirigentes que, por serem dirigentes, podem, segundo a lei, faltar uns tantos dias por mês para... actividade sindical. Faço alusão a este caso porque me parece que já vai sendo tempo de formarmos o Sindicato Nacional dos e-mails do Outro Mundo. O que achas?

Eu não me importo que tu sejas o presidente e eu o vice-presidente. E sempre tínhamos uns dias livres para tratar da nossa actividade sindical. De preferência numa esplanada e a beber umas imperiais. Pensa nisso e responde-me para a semana.

Saudações sindicalitais
Manuel Serra d’Aire

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