Política | 10-05-2018 10:04

Vila Franca de Xira cobiçada para novo aterro sanitário

Mato da Cruz encerra dentro de quatro anos e já estão em estudo alternativas.

Apesar das constantes recusas dos autarcas de Vila Franca de Xira o concelho continua a ser visto como um dos melhores destinos para instalar o próximo aterro sanitário que sirva a Área Metropolitana de Lisboa. Isto porque o actual aterro de Mato da Cruz, na Calhandriz, está a quatro anos de encerrar e em breve terá de ser equacionada uma alternativa.


O MIRANTE sabe que nada está fechado no processo de escolha do local para o próximo aterro sanitário e que já existem alguns concelhos apontados como destinos prováveis, sobretudo pelas vastas áreas disponíveis, entre eles Odivelas, Peniche ou Sobral de Monte Agraço. Vila Franca de Xira não está também posta totalmente de lado devido aos bons acessos, proximidade com a capital e à quantidade de pedreiras desactivas no seu território que precisam de ser requalificadas ambientalmente.


Alberto Mesquita (PS), presidente do município vilafranquense, já veio dizer “não” à alegada intenção e garantir que o seu concelho “não permitirá” que ali seja instalado um segundo aterro sanitário, notando que é “chegada a vez” de outros concelhos serem solidários. “E não vale a pena a Valorsul fazer-se de morta sobre este assunto, já deveriam estar a estudar alternativas para Mato da Cruz”, aponta o autarca, que recusa também ampliações do espaço hoje existente.


José António Oliveira, vice-presidente do município e administrador dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento, também notou que a empresa “terá de encontrar outro destino” para o próximo aterro sanitário. “A Valorsul terá de cumprir a decisão que a câmara tomou [de não receber mais aterros sanitários no seu território] e por isso vamos continuar muito atentos ao que vier a acontecer”, exprimiu. Além de Mato da Cruz a Valorsul tem também um segundo aterro sanitário no Oeste, no Outeiro da Cabeça, Cadaval, que abriu em 2002.

Críticas à requalificação paisagística
A Câmara de Vila Franca de Xira também não está satisfeita com a requalificação paisagística que está a ser feita em Mato da Cruz. “Na última assembleia geral da Valorsul expressámos as nossas preocupações com os montes de escórias [material resultante da queima de resíduos] a céu aberto no aterro e a comissão executiva comprometeu-se a metê-las de outra maneira. Não estamos também de acordo com o que foi feito na requalificação paisagística do aterro e exigimos mais porque o que ali está feito não está de acordo com o que a câmara quer”, criticou Alberto Mesquita.


Sobre as cinzas a céu aberto a Valorsul já tinha explicado que o material com impacto visual existente no aterro “não é mais do que um armazenamento temporário de escórias tratadas, um material inerte que aguarda escoamento”.


O aterro sanitário funciona desde 1996. Foi criado com o compromisso da entidade que o explora de que logo que as células estivessem cheias, o espaço iria sendo reconvertido em áreas para lazer e usufruto público. A verdade é que ainda nenhum espaço foi colocado à disposição da população, apesar de algumas células já terem recebido uma pequena requalificação paisagística e algumas árvores terem sido plantadas.

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