28º Aniversário | 18-11-2015 11:34

“Não tenho muita paciência para as pessoas que gostam de se ouvir”

Fale-me da sua vida de empresário e da forma como chegou a este negócio? O envolvimento na gestão hospitalar foi para mim uma surpresa, de certa forma pouco previsível, porque tenho uma formação de base mais técnica, de engenheiro mecânico, e sempre tive algum receio em ir ao médico ou mesmo entrar num hospital. Tento manter sempre a mente bastante aberta a novas ideias e entusiasmo-me com novos desafios. E isso, ao longo da minha vida, acabou por me proporcionar novas oportunidades.A família ajuda e é parte importante da estratégia empresarial? Procuro não envolver a família nos assuntos profissionais e, na medida do possível, não levo para casa os problemas. A minha família mais próxima é crucial para o meu equilíbrio pessoal, ajuda-me a relativizar os temas e a centrar-me no essencial.Como classifica os recursos humanos disponíveis no mercado? Temos em Portugal pessoas muito qualificadas. O desafio passa mais por todos nós sermos capazes de encontrar oportunidades que permitam o nosso desenvolvimento e contribuam para a nossa satisfação.Está preparado para tudo na sua vida de empresário? Acredito que sim, desde que tenha saúde e o apoio dos que me são mais próximos.Comente a situação actual do país onde vive e da sua região em particular. O país atravessa sem dúvida um momento difícil. Temos de nos virar mais para o exterior e ser mais ambiciosos. Também sabemos que a nossa realidade é bastante melhor comparativamente com a que se vive actualmente em muitos outros países do globo. Considero Portugal um bom país para se viver, com características únicas.Qual a tradição que nunca podemos deixar morrer? A defesa dos princípios, da verdade e dos valores que devem fazer de nós e dos nossos filhos contributos para uma melhor sociedade. O respeitinho é muito bonito? O respeito torna a sociedade mais tolerante em relação aos outros e contribui para a paz em geral.A beleza é fundamental? Todo o tipo de beleza é apreciada pelo ser humano. A interior é certamente aquela que mais nos toca e admiramos. O Facebook e as outras redes sociais melhoraram a sua vida? Apenas na medida em que me permite acompanhar e estar mais facilmente em contacto com os meus filhos.Gosta de uma boa discussão? Sim, sobretudo se forem honestas e construtivas. Não tenho muita paciência para as pessoas que gostam de se ouvir.Já se sente à vontade a escrever com o novo Acordo Ortográfico? Ainda não e tenho alguma dificuldade em perceber os seus benefícios.Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer? Mal não faz e em geral o dia acaba por render mais. Pessoalmente tenho necessidade de dormir bem.O que tem que fazer um homem para ser um verdadeiro homem? Ser verdadeiro.O que seria para si uma tragédia? Sermos envolvidos numa guerra ou vítimas de uma epidemia.Quem lhe contava histórias quando era criança? Contavam-me poucas histórias, mas em geral a minha mãe. Adormeço com muita facilidade.Ler jornais é saber mais? Sem dúvida, sobretudo O MIRANTE. Contudo, não acredito em tudo o que leio. Gosto de ler a opinião dos outros mas após ter formado a minha antes.Quem gostaria de ser se não fosse quem é? Gostava de conhecer melhor o nosso planeta no que respeita à sua natureza e funcionamento mas também gostaria de estudar as civilizações antigas. Já quis ser o Indiana Jones, admiro o Comandante Cousteau e o David Attenborough pela defesa que fizeram do planeta.Fazem falta mais mulheres na política? Faltam sempre mulheres quando há demasiados homens e vice-versa. Foi feito um estudo que tornou evidente que equipas mistas, compostas por mulheres e homens, são mais inteligentes que as equipas de um só género. Eu procuro essa complementaridade quando construo equipas.Sente que seria capaz de ser um bom primeiro-ministro? Não. Mas também não tenho essa aspiração.Quais as qualidades que mais aprecia numa pessoa? Sem qualquer ordem aprecio a sinceridade, a lealdade, a determinação e honestidade. Aprecio características como o sentido de responsabilidade, o esforço, o rigor na análise e, claro, sentido de humor e optimismo.Gostaria de viver numa cidade sem semáforos nem sinais de trânsito? Sim, claro, desde que houvesse respeito mútuo entre condutores e pelos peões.Qual a promessa que fez a si próprio mais vezes no início de cada ano e que vai continuar a fazer porque ainda não conseguiu cumpri-la? Gerir melhor o meu tempo, por forma a ter uma vida mais equilibrada e poder desenvolver outros interesses.Qual é o seu maior defeito? Tenho vários. O que me parece importante é tentar corrigi-los ao longo da vida, por forma a melhorar o nosso relacionamento com os outros.Como é um dia bem passado? No trabalho, quando consigo atingir um objectivo, ultrapassar uma dificuldade ou obter um bom resultado.Com a família, quando conseguimos estar próximos uns dos outros ou nos juntarmos para fazer algo de concreto. Tenho hoje os meus filhos um pouco dispersos, alguns fora de Portugal, e torna-se difícil conseguir reunir todos.Quais os personagens históricos que mais despreza? Os que na História mataram sem escrúpulos, por discriminação, por sede de poder… Infelizmente a história conta com muitos.O que é bom é para se ver? Sim, sem dúvida. Basta de mostrarmos somente o que é mau ou negativo. Temos de alimentar mais o orgulho no que fazemos. É habitual ouvirmos que nos meios de comunicação “as boas notícias não vendem”. Não acredito.Alguma vez escreveu um poema? Não tenho jeito para letras.Há alguma coisa pela qual ainda valha a pena lutar até à morte se necessário for? Lutar até à morte é muito forte. Acredito que uma pessoa mantendo-se viva pode contribuir mais do que morta.Tem alguma superstição? Sim, após algumas ocorrências negativas, hoje, evito o número 13.Durante quanto tempo é capaz de guardar um segredo? Para sempre.Alguma vez pediu o livro de reclamações? Claro. Antes de mais, nas funções que exerço faço questão em ler atentamente muitas das reclamações que recebemos. Entendo como alertas e oportunidades de melhoria. Para além de ser um direito do cidadão também vejo como um dever. Encaro as reclamações como um instrumento de melhoria do funcionamento da nossa sociedade. Como tal, também já fiz várias reclamações.A Justiça é igual para todos? Devia ser. Mas a sua lentidão e ineficácia criam desigualdades.Este Mundo está perdido? Não, mas está um pouco acelerado e com falta de respeito pelos recursos naturais que dispõe.De quantas horas de sono precisa para acordar bem disposto? Algumas. Diria que 8 horas por noite é perfeito.O que gostava de fazer e não faz para não cair no ridículo? Não sei, não tenho muito receio de cair no ridículo. Só se for algo de verdadeiramente ridículo por si só.O que sente quando vê pessoas a pagar promessas de joelhos em Fátima? Admiração pela sua humildade, determinação e, claro, fé.Sente-se livre? Sinto-me bem. Gostava de ter mais tempo para fazer outras coisas. Não penso que a liberdade total traga necessariamente a felicidade. Vivemos em sociedade e como tal não podemos actuar de forma isolada.

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