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Novas regras para praças desmontáveis podem afastar tourada das aldeias

Novas regras para praças desmontáveis podem afastar tourada das aldeias

Edição de 17.08.2016 | Sociedade

Com a obrigatoriedade das praças desmontáveis terem curros para os toiros, a realização de touradas em localidades sem praças fixas está comprometida. O MIRANTE esteve na 2.ª Grande Corrida de Toiros de Casével, Santarém, e falou com o veterinário da IGAC - Inspecção Geral das Actividades Culturais, José Luís Cruz, que admitiu que a obrigatoriedade de curros nas praças desmontáveis coloca sérios problemas à continuação deste espectáculo. Sobre a corrida da freguesia do concelho de Santarém, revelou ainda que só à meia-noite é que foi conseguida a legalização da praça, a 17 horas do espectáculo. Esta foi a primeira corrida com a obrigatoriedade de curros.
O director de corrida de Casével afirmou que as condições estarão sempre garantidas: “são obrigatórios curros fixos, mas também têm de ser amovíveis para que possam ser retiradas do local para outros espectáculos e isto implica mais infra-estruturas e mais trabalho”. Pedro Reinhardt admite que as localidades sem praça fixa poderão estar em risco de vir a ter mais corridas, apesar de sublinhar que ainda é prematuro chegar a essa conclusão.
O cabo dos Forcados Amadores da Chamusca diz que pegar um toiro numa praça fixa ou desmontável acaba por ser igual, reconhecendo que as condições e as diferenças entre praças acabam por ser notadas pelo público e não pelos intervenientes no espectáculo. Antes das pegas do seu grupo, Nuno Marecos disse que as novas exigências talvez venham a condicionar corridas em sítios sem praça: “não sabemos ainda mas como vemos está a ser realizada”, acrescentou.
Falamos ainda com o empresário dono da praça desmontável e antigo matador de toiros, Ricardo Chibanga, de 73 anos, que considera que “as praças desmontáveis terão sempre condições como esta tem e vai sempre haver corridas de toiros”.

Para os aficionados qualquer praça serve

Nos bastidores da Corrida de Casével falava-se no muito calor que se sentia na tarde de 14 de Agosto que terá afastado muitas pessoas. No entanto, os cavaleiros Luís Rouxinol, Manuel Telles Bastos (em substituição de Marco Bastinhas que não pôde estar presente por motivos de saúde) e Luís Rouxinol Júnior, juntamente com os Forcados Amadores da Chamusca, arrancaram muitos aplausos ao longo do espectáculo na lide dos toiros da ganadaria Herdeiros Paulino Cunha e Silva.
Nas bancadas esteve um casal de Riachos que levou à corrida uma tia de Estarreja, que esteve emigrada 20 anos no Brasil. Cidália Jorge, 74 anos, está em Portugal de férias com a sobrinha Maria do Rosário Oliveira, 52 anos, e José Oliveira, 63 anos, marido e mulher. “Gostamos de touradas, somos uns verdadeiros aficionados e ainda há pouco tempo tivemos também nas festas da Bênção do Gado em Riachos onde houve uma”. Cidália Jorge diz também gostar muito do espectáculo.
João Cruz, 44 anos, e Fernando Oliveira, 46 anos, são amigos e são de Casével e levaram os filhos e sobrinhos à corrida, apesar de não serem grandes aficionados. “Foi mais pela curiosidade dos miúdos e porque para eles é grátis”, afirma Fernando Oliveira. Já João Cruz levou os dois filhos e dois sobrinhos e lembra um episódio na corrida do ano passado com um outro sobrinho que não está presente: “ele veio com a curiosidade de saber o que era a corrida de toiros mas quando percebeu o que estavam a fazer ao touro não quis ver mais”, conta.
Junto da banda filarmónica da Sociedade de Instrução e Recreio Carregueirense “Vitória” estão dois casais: Ana Azóia, 27 anos, da Pampilhosa da Serra e Nuno Azóia, 33 anos, de Casével, e Marta Antunes, 26 anos, também da Pampilhosa da Serra e Fábio Simões, 24 anos, de Proença-a-Nova. Os quatro juntaram-se pelas festas de Casével mas também pela corrida de toiros. “Somos todos aficionados”, diz Ana Azóia, “pena é os toiros estarem cansados, deve ser do calor”, conclui.

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