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Uma família de ases do volante

Uma família de ases do volante

O clã Santinho Mendes é uma referência no mundo do automobilismo nacional. O patriarca António iniciou o percurso de êxitos, continuado pelo filho Vitor e agora consolidado pelo neto António. A base esteve sempre em Abrantes.

Edição de 02.11.2016 | Desporto

Em Abrantes há uma família de campeões nacionais de automobilismo que vai já na terceira geração. “É a única no país”, diz António Santinho Mendes, o patriarca, hoje com 74 anos. Foi ele quem iniciou esta senda vitoriosa no mundo automóvel ao sagrar-se campeão nacional de ralis pela primeira vez em 1979. Façanha que repetiu por sete vezes. Participou em centenas de provas em Portugal e no estrangeiro, entre elas a prova rainha do todo-o-terreno, o Paris-Dakar.
O seu filho, Vítor Hugo, também foi campeão nacional de autocross, mas neste momento abdicou da competição para se dedicar exclusivamente à carreira do filho, António, que herdou o nome e a perícia do avô e já foi bicampeão nacional de rali-cross e vencedor da Taça de Portugal na categoria de iniciados, com apenas 15 anos de idade.
Vítor Hugo conta a O MIRANTE que transformou a carreira do seu filho num passatempo envolvente. “Dedico todo o meu tempo livre para que o António tenha todas as condições para, em primeiro lugar, divertir-se e depois para se formar enquanto homem. Se os resultados aparecerem é a cereja no topo do bolo”, afirma.
“O meu avô é um ídolo”
O piloto mais jovem da família começou aos quatro anos de idade num kart que era do pai e preparado pelo avô para ir adquirindo alguma experiência no Kartódromo de Abrantes. Começou a competir com seis anos e a participar em algumas provas que foi vencendo. Mais tarde entrou em competições a nível nacional e a obter bons resultados, vencendo, por exemplo, a Taça de Portugal em Karting. “Depois demos então o salto para os automóveis. Fui bicampeão nacional e ganhei a Taça de Portugal. Para o próximo ano vamos subir de categoria”, conta o jovem piloto que adora velocidade e que também pratica atletismo. “Participo em provas de velocidade”, diz a sorrir.
O jovem confessa que o facto de ter campeões na família o influenciaram nesta escolha. “Fui acompanhando as corridas do meu pai. Do meu avô já não acompanhei porque ele retirou-se na altura em que nasci. O meu avô para mim é um ídolo. Qualquer piloto gostaria de ganhar aquilo que o meu avô já ganhou”, diz.
O avô Santinho Mendes afirma que já não dá conselhos aos seus filhos nem ao seu neto. “Eles já não precisam, já sabem mais do que eu”, diz bem-disposto. Não acompanha todas as provas em que o neto participa porque está neste momento a viver no Algarve e como é muito longe aguarda que ele tenha um bom desempenho durante o ano para vir então “ver a última prova, a da consagração”.
O patriarca, já retirado, prefere agora “mandar umas porradas nas bolas de golfe”, o seu desporto de eleição e bastante diferente do automobilismo. “São completamente diferentes mas que precisam de uma grande concentração. A concentração para bater uma bola dura alguns segundos enquanto nos automóveis a concentração começa quando arranca e nunca mais se pode perder”, explica.
Família junta nas 24 Horas de Fronteira
“Antigamente era capaz de guiar 4 ou 5 horas seguidas, agora se guiar meia hora já fico estoirado”, confessa António Santinho Mendes avô. Mas isso não o vai impedir de participar novamente com os seus filhos e agora também com o neto nas “24 Horas de Fronteira” em 2017. “Já estamos a preparar o carro para ver se o ponho como deve ser. Vamos testá-lo brevemente”, diz. “A nossa preparação não é uma preparação de raiz, é mais ao nível de suspensões, motor, mais capacidade em termos de gasolina e principalmente a nível de segurança”, explica.
António Santinho Mendes confessa que gostava que o neto atingisse o topo. “Sei que está a trabalhar para isso mas no automobilismo a partir de certa altura quem manda é o dinheiro. Para já tem todas as condições que têm os melhores do mundo”.
Já Vítor Hugo prefere que o filho “seja primeiro de tudo um homem bom, com formação e se alguém quiser projectar a sua carreira no automobilismo era bom, mas os estudos estarão sempre em primeiro lugar”.
Neste momento António Santinho Mendes estuda no 10º ano na área de Ciências e Tecnologias. Quer seguir “algo relacionado com o sector automóvel, talvez engenharia mecânica ou algo parecido, para poder acompanhar o desenvolvimento dos carros” pois “o conhecimento técnico é fundamental”. O avô acrescenta que é útil quem tenha conhecimentos nessa área, pois a família tem há muitos anos negócios no ramo automóvel.

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