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Vírus língua azul afecta milhares de ovelhas a norte do Tejo
MORTE. Criadores de gado estão a sofrer com fortes prejuízos

Vírus língua azul afecta milhares de ovelhas a norte do Tejo

Agrupamento de Defesa Sanitário diz que se trata de uma situação de calamidade. Direcção Geral de Veterinária só disponibilizou vacinas para o Médio Tejo após aparecerem os primeiros casos da doença.

Edição de 30.11.2016 | Sociedade

Mais de 70 ovelhas morreram na semana passada na zona de Abrantes com o vírus da língua azul, tendo o veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitário considerado que a situação é de “calamidade” para os produtores da região.
“De um total de 15 mil ovelhas existentes em 400 explorações e rebanhos nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, mais de 50% está infectado com o vírus da língua azul, uma situação de calamidade para estes produtores. Só em Alvega [Abrantes] um produtor já perdeu 70 cabeças”, afirma Adérito Galvão, veterinário do Agrupamento de Defesa Sanitário (ADS) daqueles três municípios.
O veterinário criticou que “as vacinas foram apenas cedidas às zonas de restrição do vírus, entre elas o Alentejo, mas o vírus propagou-se pelos mosquitos e entrou no Ribatejo no início de Novembro, tendo apanhado todas as ovelhas por vacinar, uma vez que esta região não foi considerada zona de risco”.
“Hoje, depois de ter mais de metade de um efectivo de 15 mil ovelhas contaminado, e muitas delas prenhes, é que comecei a vacinar o gado, porque libertaram na quarta-feira (23 de Novembro) 30 mil vacinas, mas já com a doença no terreno”, disse aquele responsável, tendo feito notar que, para cada ovelha, é necessária a administração de duas vacinas, espaçadas no tempo.
Adérito Galvão, que começou na semana passada com a sua equipa a vacinar 15 mil ovelhas, lembrou que as vacinas são administradas em duas doses, com três semanas de intervalo. “Só ao fim de um mês se estabelecem as resistências e durante este período ainda podem vir a adoecer”, frisou, tendo observado que “as baixas temperaturas podem ajudar à não propagação do vírus, uma vez que os mosquitos não voam, como tal, deixam de se reproduzir e deixam de picar”.
O produtor Artur Lopes, de Alvega, disse que “as ovelhas estão prenhes, mas não se alimentam com o vírus. Ganham febre, babam-se e deixam de comer. Todos os dias morrem ovelhas dos meus rebanhos”, lamentou, tendo contabilizado 70 ovelhas mortas, com um valor médio de mercado de 80 euros.
Em Projecto de Resolução, o Bloco de Esquerda, através dos deputados Carlos Matias e Pedro Soares, solicitou ao Governo que adopte medidas de apoio aos criadores cujos animais foram atingidos pela febre catarral ovina, (vírus da língua azul), no Médio Tejo. Segundo os deputados, “acresce a este quadro a generalizada incompreensão pela demasiado tardia emissão do edital da DGAV (Direcção Geral da Alimentação e Veterinária), em 18 de Novembro último, só então alargando a área de vacinação obrigatória aos concelhos atingidos no Médio Tejo, já depois de confirmados os primeiros resultados positivos das análises para detecção viral”.

Veterinário desmente DGAV
O Ministério da Agricultura, contactado pela Lusa, disse que “todas as explorações de ovinos situadas dentro da zona de restrição [todas as regiões do Alentejo e Algarve e também 3 concelhos de Castelo Branco] acederam a vacinas fornecidas pela DGAV - Direcção Geral de Alimentação e Veterinária”, tendo feito notar que as restantes explorações “podiam vacinar voluntariamente, sendo o custo da vacina suportado pelos produtores”.
Uma informação contrariada por Adérito Galvão. O veterinário, em declarações à Rádio Renascença, diz que o Ministério da Agricultura, ao contrário que tem sido noticiado, só previu a vacinação de vacas e não de ovelhas. “Ao contrário das notícias que estão a ver veiculadas pelo Ministério da Agricultura, não estava prevista a vacinação voluntária das ovelhas pelos produtores, apenas a das vacas. Portanto, essa informação que está a ser veiculada pelo Ministério da Agricultura não é correcta. Eu aconselhei algumas pessoas, que seria do ponto de vista preventivo, bom, vacinar as ovelhas. E foi-me dito e estava escrito nos editais que previam a vacinação voluntária das vacas e não das ovelhas”, disse, citado pela Rádio renascença.

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