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16/01/2017
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“Há muita gente com cataratas aos 40 anos”
Adélia Nunes começou a trabalhar aos 23 anos. Foi recepcionista num consultório médico, trabalhou em artes gráficas e em 2012 tirou o curso de optometria no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC). Hoje é gerente de lojas de óptica. Adélia diz que adora viajar. Um gosto que lhe vem desde a infância, quando percorreu a Europa à boleia do pai que era camionista.
Edição de 12.01.2017 | Identidade Profissional

Quando era criança, Adélia Nunes, gerente da Visão Viva com lojas em Santarém, Coruche e Chamusca, gostava de ajudar os pais nas searas de melão e melancia. Mais tarde o pai foi trabalhar como motorista de longo curso e Adélia, com oito anos, acompanhava-o nas férias escolares.
“Viajei muito pela Europa. Posso dizer que tive uma infância feliz. Nasci em Abrantes mas resido em Alpiarça desde os meus dois anos”, conta. Começou a trabalhar numa óptica há vinte anos. “Tirei o curso de técnica de óptica onde se aprende a fazer o trabalho de oficina, como se montam os óculos, as lentes e as armações. Também fazia atendimento ao público”.
Antes de se dedicar aos problemas de visão andou “por aí”. Começou a namorar com 15 anos de idade e casou dois anos depois. Aos 20 foi mãe. “Comecei a trabalhar com 23 anos como recepcionista num consultório médico. Depois trabalhei numa serigrafia que fazia parte do mesmo grupo do consultório”, refere.
Em 2012 tirou o curso de optometria no Instituto Superior de Educação e Ciências (ISEC), que é ministrado pela Escola Portuguesa de Óptica Ocular, para poder dar consultas. “Neste momento a nossa óptica, Visão Viva, tem três lojas com o conceito low cost, abertas ao público em Santarém, Coruche e Chamusca”.
Adélia Nunes, 43 anos, diz que há cada vez mais pessoas na casa dos 40 anos com cataratas porque estão muito expostas às radiações dos monitores de computadores, televisões, tablets e telemóveis. “Até na escola já existem quadros interactivos”, exemplifica. “A grande maioria das pessoas não dá muita importância porque é uma coisa que não dói”, explica a optometrista, dizendo que há uma solução para minimizar os danos: “são umas lentes especiais com um filtro que protege das radiações”.
Conta que “há alguns clientes que estão despertos para este problema e dirigem-se à loja para adquirir essas lentes mesmo sem precisar de graduação”. Normalmente são pessoas mais jovens que vêem essa informação na Internet. Mas “também há aquelas pessoas que querem óculos à força mesmo não precisando”, conta a sorrir.
Está comprovado que uma pessoa que passe mais de oito horas em frente ao monitor de um computador tem mais probabilidade de vir a ter cataratas. As cataratas estavam associadas a pessoas mais idosas. Aparecem por volta dos 60 anos porque o cristalino do olho envelhece. Os miúdos hoje já não brincam, nem vão para a rua brincar. Estão colados ao tablets e outra tecnologia. Há também doenças que prejudicam a visão, como a diabetes ou o glaucoma. “O glaucoma é uma doença silenciosa por isso é necessário verificar se a tensão ocular está alta”, explica.
Adélia Nunes ainda não sofre de cataratas mas já usa as lentes especiais. Talvez por não ver muita televisão e o telemóvel ser praticamente só para telefonar. “Na televisão só vejo séries e filmes porque me recuso a ver notícias. Odeio a política e acho que os políticos são todos corruptos. Antes de estarem nos cargos prometem tudo mas quando lá chegam não fazem nada. São todos iguais”, confessa.
Adélia Nunes adora viajar e diz ter o passaporte “bastante preenchido”. Gosta principalmente de destinos que tenham mar e sol. “Já fui a Cuba, República Dominicana, México, Quénia, Venezuela, Seychelles, Tanzânia, Angola e vários países da Europa, mas o meu preferido é o Brasil”. Normalmente viaja para o nordeste brasileiro, “onde as pessoas são muito simples e calmas”. O local que Adélia gostou menos foi a Ilha Margarita. “Estava tudo sujo e degradado. Já vi algumas coisas menos boas nas minhas viagens mas ali só vimos miséria e lixo. Nessas alturas sinto-me triste por essas situações acontecerem e sinto-me agradecida por aquilo que tenho”.

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