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24/07/2017
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Médicos preocupados com o futuro do Hospital de Santarém...
Revelação feita por candidato a bastonário da Ordem dos Médicos que visitou unidade de saúde
Edição de 12.01.2017 | Sociedade

Da visita que fez ao Hospital de Santarém, Miguel Guimarães levou uma boa imagem da qualidade dos médicos mas não do funcionamento da unidade hospitalar. O candidato a bastonário da Ordem dos Médicos diz que é grave a falta de capacidade de se constituírem equipas para as urgências, sublinhando a incapacidade da directora clínica para resolver os problemas.

Os médicos que prestam serviço no Hospital Distrital de Santarém estão preocupados com o futuro dessa unidade hospitalar, perante as deficiências e má imagem que este tem revelado nos últimos tempos. Esta situação foi aferida pelo candidato a bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, que visitou o hospital na quinta-feira, 5 de Janeiro. “Há de facto uma grande preocupação dos médicos quanto ao futuro do Hospital de Santarém”, revelou o médico.
O médico, referindo-se às dificuldades em se formarem equipas para as urgências, considerou que “quando o director clínico não consegue resolver as situações, alguma coisa está mal”. Miguel Guimarães considerou que este “é o problema mais sério do Hospital de Santarém”, realçando que “não existem os médicos suficientes para fazerem as urgências funcionarem de acordo com aquilo que são as regras e a directora clínica tem obrigação de resolver os problemas que existem”.
Esta situação já tinha motivado uma intervenção do actual bastonário, José Manuel Silva, que criticou a organização das escalas no serviço de urgência, com alegadas equipas desfalcadas. O bastonário foi ao ponto de sugerir a demissão da directora clínica, a quem interpelou para que garanta os níveis de qualidade que um serviço destes deve ter. Miguel Guimarães tinha solicitado uma reunião com a directora clínica, para a altura da visita, mas não chegou a falar com Maria Lopes, “porque não nos foi comunicado um tempo para podermos reunir e não podemos ficar a manhã toda no hospital”, esclareceu.
Miguel Guimarães diz ter uma boa imagem dos médicos que trabalham no hospital e considera que o facto de este estar perto de Lisboa tem dificultado a contratação de especialistas. “Há algumas deficiências que têm de ser corrigidas a nível do capital humano”. Quanto aos que trabalham na unidade diz que “são dedicados e que lutam por um Serviço Nacional de Saúde melhor e que têm conseguido manter os cuidados assistenciais num bom nível, apesar de existirem algumas deficiências e algumas faltas de médicos em algumas especialidades e de equipamento”.

Serviço Nacional de Saúde pode começar a definhar

Formar um médico na universidade custa entre 60 mil e 100 mil euros. Não contando com a formação específica como o ano comum ou o internato, que podem custar mais 100 mil euros. “Não é só o investimento que se faz na formação. Se não tivermos médicos jovens no Serviço Nacional de Saúde e a inovação que pode ser introduzida por eles, vamos ter dificuldades em manter o serviço com a actividade e a pujança que ele tem hoje e vai começar a definhar”, constatou.

A culpa da falta de médicos no interior é do Governo

O candidato à Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera que “o Governo não tem feito aquilo que devia fazer para contratar médicos” para o interior do país. O médico questiona o combate à reforma antecipada de médicos, a emigração extraordinária de médicos e o facto de muitos médicos optarem por trabalhar no privado. A solução, considera, passa por “dar melhores condições de trabalho aos médicos. E isso começa logo no respeito que as instituições que tutelam a saúde em Portugal têm que ter pelos médicos. Os médicos têm que sentir que são respeitados e isso é logo uma motivação extra para eles darem mais deles mesmos”.

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