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28/02/2017
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O MIRANTE dos Leitores
Casal de Frade de Baixo continua a viver na miséria
João Correia tem 52 anos e recebe 9 euros mensais do Rendimento Social de Inserção e Deolinda Roque, a quem foi retirado um seio na sequência de um cancro, tem 59 anos recebe 270 euros de uma pensão de invalidez. Perante isto, e olhando para a casa onde vivem que nem porta tem, o que posso pensar quando oiço o primeiro-ministro sorridente e o presidente afectuoso dizerem que o país está bem e recomenda-se? Os bem pensantes dirão que a culpa é do casal de Alpiarça. Que aquelas pessoas recebem ajudas mas que não são capazes de andar com a vida para a frente. De criar o seu próprio emprego, por exemplo. Uma start-up ou coisa assim. Que há muito trabalho mas que eles não querem trabalhar...a miséria é como a lepra e há muita gente que já nasce com esta terrível doença. A quem já não tem cabeça para tratar da vida e nem sequer vida tem porque aquilo não é vida, o que resta? E tanta gente à boa-vida por aí, com vínculo ao Estado, com bons empregos onde se faz pouco ou nada e se ganha tanto. Eu que conheço tão pouco, conheço tantos Joões e Deolindas que de vez em quando até me custa respirar. E não me perguntem a mim o que fazer. Eu não sou político nem dirigente ou técnico da Segurança Social. Apenas tenho memória e por isso fui buscar este parágrafo de uma notícia de Agosto de 2009. “Câmara de Alpiarça recusou por unanimidade o plano de apoio social no concelho no âmbito de uma rede da qual é parceira por não concordar com o orçamento proposto que é quase destinado a ordenados de técnicos que a Fundação José Relvas pretende contratar. O projecto tem um orçamento de 525 mil euros financiados na totalidade pela Segurança Social e prevê gastar 363 mil euros em ordenados de quatro pessoas. Uma delas, que foi proposta pela fundação para ser o coordenador do projecto, é o filho do candidato à presidência da Câmara da Chamusca pelo PS, Joaquim Garrido. Segundo a proposta, Miguel Garrido terá um ordenado base de 2.437 euros mensais durante três anos”. João Mateus