Retrospectiva 2016 | 02-03-2017 09:21

“Os clubes aprenderam a viver com menos custos e mais adequados à realidade”

“Os clubes aprenderam a viver com menos custos e mais adequados à realidade”

O presidente da Associação de Futebol de Santarém, Francisco Jerónimo, diz que a modalidade na região está bem e recomenda-se. Na época passada foi batido o recorde de inscrições, que chegou aos 7300 atletas, e esta época há a perspectiva de o número ser ultrapassado. Elogia os dirigentes dos clubes, que se souberam adaptar à realidade e deixaram de entrar em loucuras, e confessa que gostava de ver um emblema da região nas competições profissionais.

Quais são os grandes desafios do futebol distrital actualmente? Temos como meta continuar a crescer. Na época passada atingimos os 7300 atletas inscritos na Associação de Futebol de Santarém (AFS) e esta época, ainda com inscrições a decorrer, temos números que nos levam a acreditar que podemos bater esse recorde, como já tínhamos batido no ano passado. É uma aposta resultante do trabalho dos clubes e seus dirigentes.
Há mais atletas inscritos, as condições dos equipamentos desportivos melhoraram substancialmente nos últimos anos – já quase não há campos pelados na região – mas, paradoxalmente, o futebol ribatejano tem perdido expressão no contexto nacional. Neste momento só há duas equipas seniores masculinas a disputar o Campeonato de Portugal (terceiro escalão do futebol português), quando há uns anos havia pelo menos meia dúzia. Também é verdade que o número de clubes nos campeonatos nacionais foi reduzido substancialmente. Houve de facto uma quebra acentuada e nos últimos três anos tem-se estabilizado. Temos duas equipas a disputar o Campeonato de Portugal e uma delas, o Fátima, vai disputar a fase de subida aos campeonatos profissionais. É um projecto que dá garantias de lutar até ao fim para chegar à II Liga e que visa, a médio prazo, atingir o patamar mais alto do futebol nacional.
Seria importante para a AFS ter um clube no futebol profissional? Como é evidente. O grande crescimento tem sido no sector da formação mas ter uma equipa nas ligas profissionais seria importante, seria a ponta da pirâmide.
Estamos a assistir a um ressurgimento de alguns clubes importantes da região. Alguns clubes têm apostado nisso. Temos outro clube no nacional, o Atlético Alcanenense, que está na fase de luta pela manutenção numa posição tranquila. Para o ano acredito que vamos ter mais um clube no nacional de futebol sénior, porque o campeão distrital também vai subir.
A excessiva dependência financeira que houve dos municípios há alguns anos acabou e muitos clubes de futebol foram obrigados a reinventarem-se, enquanto outros acabaram. Era um desfecho previsível? Passada essa fase em que houve financiamento fácil, e onde se cometeram quase loucuras, as coisas tiveram que ser reinventadas. E aí deixo uma palavra de reconhecimento aos dirigentes que foram capazes de reinventar o associativismo com muito menos dinheiro. Mas dizer que as autarquias deixaram de apoiar não é verdade. Apoiam é com regras, com contratos-programa e hoje os clubes estão a viver com menos custos e mais adequados à realidade. Havia gente a jogar nos distritais que ganhava mais no futebol do que na profissão que tinha. Isso hoje acabou.
O futebol é um meio com muitas rivalidades. Isso nota-se no seio da Associação de Futebol de Santarém, nomeadamente nas assembleias-gerais, ou no essencial remam todos para o mesmo lado? Dentro do que é a nossa política de proximidade junto dos clubes, ouvimos o que cada um pensa e tentamos encontrar os caminhos e as soluções. Até agora não tem havido problemas e as assembleias são pacíficas. É uma gestão transparente e abrangente, pois nos órgãos sociais temos gente de todo o distrito e essa proximidade facilita a relação com os clubes. Temos tentado sempre soluções equilibradas, como foi o caso da revisão dos quadros competitivos.
Costuma ir ver jogos de futebol ao fim-de-semana. Sim, vou sempre. Chega a haver cem jogos ao fim-de-semana…
Como é que conseguem arranjar árbitros para tantos jogos ao fim-de-semana? Com o esforço do conselho de arbitragem. Hoje temos mais e melhores árbitros. São cerca de 160.
É fácil captar jovens para essa actividade? Não é fácil, mas, felizmente, olhando para o panorama da arbitragem na nossa associação constatamos que são mais jovens, mais bem preparados e até com formação base mais elevada. Tem sido feito um trabalho de captação também no âmbito do desporto escolar e de vez em quando lá vem mais uma fornada de miúdos.
Ter um árbitro no escalão mais elevado do futebol português também acaba por ajudar a atrair mais jovens. É um grande catalisador e é um exemplo para todos os outros. O João Mendes ainda há não muito tempo aceitou o convite para arbitrar um jogo complicado do distrital entre duas equipas que lutam por lugares do topo.
O futsal está em franco crescimento e ainda tem margem para se expandir, sendo mais uma modalidade para fazer concorrência ao futebol, nomeadamente ao nível da formação. O que pensa disso? Não acho que seja concorrencial. São situações diferentes. O futsal ainda é uma variante do futebol relativamente recente, que se tem projectado e tem crescido. Temos o melhor jogador do mundo e isso é importante. Temos acompanhado a aposta da federação no crescimento do futsal e recentemente promovemos mais um curso de treinadores, agora de nível 2.
O futebol feminino também tem muita margem de crescimento? Sim. É uma aposta da UEFA e da Federação Portuguesa de Futebol. Temos uma equipa da região no campeonato principal (Ouriense) e duas na segunda divisão nacional (Salvaterrense e Pego). E continuamos a apostar no crescimento dessa vertente, com a organização de encontros específicos para meninas. Mas não é uma missão fácil, pois ainda há mentalidades que acham que o futebol não é para mulheres, além de que existe a concorrência de outras modalidades.
Faz sentido ter policiamento em jogos dos escalões jovens? Não é uma despesa que os clubes poderiam evitar? Penso que sim. Vencemos a batalha que durou três anos para ser possível fazer-se segurança em recintos desportivos sem policiamento, através de pessoas credenciadas pelos clubes, o que permite baixar os custos de organização dos jogos. Agora está nas mãos dos clubes implementar essa medida. Mas, curiosamente, os maiores problemas não estão nos jogos de seniores mas sim nos dos mais pequenos.
O facto do seu antecessor na liderança da associação, Rui Manhoso, ser actualmente vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) é uma mais valia? Não escondo que tem sido importante para a AFS ter um elemento como Rui Manhoso, homem com larga experiência no associativismo e que tem sido uma grande mais valia na ligação entre a FPF e as associações.
Para quando um jogo da selecção A na região? Nos tempos mais próximos não é possível. Há uma regra definida e que se percebe: a selecção nacional só joga em estádios do Euro 2004. São os estádios mais bem preparados e mais bem apetrechados para esse tipo de jogos.
O Torneio do Vale do Tejo para selecções sub-21 acabou de vez? O Torneio do Vale do Tejo acabou graças a uma personalidade que esteve na Federação chamada Carlos Queiroz. Foi ele que desvalorizou o torneio do ponto de vista desportivo e acabou com ele. Não está morto e à mínima oportunidade que haja para o ressuscitar fá-lo-emos. Mas tem que ser compatibilizado com o projecto desportivo das selecções. Será um grande desafio, se tal vier a acontecer, nomeadamente no que toca à captação de patrocínios. Neste momento um dos desafios a esse nível é arranjar um sponsor para a Taça do Ribatejo.

Aposta na formação é garantia de futuro

Para quem não acompanha de perto o futebol e o futsal no distrito de Santarém é difícil perceber a actividade da Associação de Futebol de Santarém sem ter, pelo menos, alguns dados quantitativos. Atletas envolvidos, masculinos e femininos, são mais de 7.300, militando em 473 equipas de 74 clubes, que disputam campeonatos distritais e nas 16 que participam em competições nacionais de futebol e futsal em diversos escalões.
O reconhecimento pelo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no fomento do futebol de formação valeu à Associação de Futebol de Santarém, em 2016, o Prémio Promoção do Desporto Jovem Desporto atribuído pela Federeação Portuguesa de Futebol. A Tejo Cup e os encontros e concentrações de petizes e traquinas (os escalões etários mais baixos) são exemplos dessa aposta.
O ano de 2016 trouxe também a boa notícia do regresso de um árbitro do distrito ao principal campeonato do futebol nacional, de seu nome João Mendes. A arbitragem é um sector chave onde a associação tem apostado na captação e formação de jovens. O futebol feminino e o futsal são outras áreas em que se tem registado crescimento de número de praticantes, havendo ainda larga margem de progressão.
Este quadro geral já permite ter uma ideia do trabalho desenvolvido pela estrutura presidida por Francisco Jerónimo e gerida por si e pela sua equipa. O presidente da Associação de Futebol de Santarém foi reeleito em Maio de 2016 para um segundo mandato e com ele manteve-se a maior parte das pessoas que já integravam os corpos sociais.
Francisco Jerónimo, 62 anos, foi durante mais de duas décadas quadro superior da Câmara de Santarém, onde chefiou o departamento de obras municipais. Nasceu perto de Torres Novas e foi na sua terra natal, Pintainhos, que iniciou um longo percurso de ligação ao associativismo em várias frentes. Substituiu Rui Manhoso, agora vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, à frente do futebol distrital.
A estabilização das equipas de futebol sénior que viveram um período conturbado resultante de uma conjuntura económica extremamente desfavorável, que levou ao desaparecimento de alguns clubes com pergaminhos, foi uma dura batalha onde houve resultados positivos.
A procura da minimização dos custos dos clubes, de forma a torná-los sustentáveis, tem sido uma preocupação constante bem como a agilização de processos para a eliminação de burocracias. A redução dos custos de inscrição dos atletas, assim como o apoio a deslocações e o apoio ao melhoramento de infraestruturas desportivas propriedade de clubes são outras frentes em que a Associação tem estado envolvida e onde os resultados positivos já merecem destaque.
O reforço da ligação da Associação de Futebol de Santarém aos clubes e o permanente diálogo com os mesmos através dos seus dirigentes, bem como o apoio a nível técnico, apoiando acções de formação quer para treinadores quer para árbitros.

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