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24/05/2017
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Pedro Santana Lopes com o presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos
Fundos comunitários foram fundamentais para mudar a face do país
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, diz que Portugal mudou muito com o dinheiro da União Europeia. Antigo primeiro-ministro foi um dos convidados da sessão comemorativa do 141º aniversário da Caixa Geral de Depósitos, que decorreu em Santarém.
Edição de 13.04.2017 | Economico

Portugal melhorou com a aplicação dos fundos comunitários que vieram da Europa. O país tem um grande desenvolvimento a nível de infraestruturas, equipamentos e também de qualificação de pessoas. O dinheiro da União Europeia permitiu mudar o país. A opinião é do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e antigo primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, que participou num dos debates inseridos no 141º aniversário da Caixa Geral de Depósitos (CDG), que se realizou na tarde de segunda-feira, 10 de Abril, no auditório do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) em Santarém.
Outro político na reserva, o socialista António Vitorino, que participou no primeiro painel de debate ao lado de Pedro Santana Lopes, defende que nem todos os fundos comunitários foram bem aplicados mas existe uma “enorme” diferença entre o país de hoje com o de há quatro décadas. “O país fez uma boa rentabilização dos fundos comunitários. Receio que depois deste quadro, que termina em 2020, os fundos não sejam tão robustos como foram até agora”, disse.
No início da cerimónia, o presidente do conselho de administração da CGD, Emílio Rui Vilar, afirmou que a agricultura foi um dos sectores que melhor respondeu à crise económica que assolou Portugal nos últimos anos e que os investimentos públicos em estruturas de regadio, onde o Ribatejo é um caso consolidado, permitiram que surgissem novas oportunidades.
No entanto, Rui Vilar alertou que Portugal só possui 15 por cento (%) de regadio enquanto Espanha possui 38% e Itália 34%, reforçando que ainda há muito caminho a percorrer nesta área. “É necessário que os fundos comunitários ainda disponíveis sejam alocados eficazmente, porque o retorno desse investimento é muito importante”, disse.
Rui Vilar elogiou também a nova geração de agricultores que estão de regresso à terra. “São mais preparados tecnicamente, mais dinâmicos, capazes de apostar em novos produtos e novos mercados de exportação, o que está a contribuir para fazer a diferença no nosso país”, realçou, acrescentando que a CGD tem tido participação activa no financiamento das fileiras agrícola e floresta e pretendem continuar a ser “cada vez mais” um parceiro decisivo para este sector.

Agromais defende candidaturas em contínuo aos fundos comunitários
O director geral da Agromais, Jorge Neves, que foi um dos convidados do painel “Perspectiva sobre as políticas e instrumentos públicos de apoio às fileiras do regadio em Portugal” considera que existe sempre a tentação de fazer política com os meios disponíveis do quadro comunitário de apoio. No entanto, defende que deveria haver a possibilidade de candidaturas em contínuo aos fundos comunitários. “Ia permitir aos agentes económicos entrar com as candidaturas quando acham que lhes é favorável e não quando são obrigados a cumprirem o prazo que é dado”, afirmou.
Jorge Neves considera também que tem havido, em termos legislativos, um crescendo dificultar do funcionamento das organizações de produtores, o que, na sua opinião, dificulta e enfraquece o trabalho dos produtores.

Política de gestão da água deve ser repensada
Para Francisco Gomes da Silva, administrador da Agroges, o sucesso do sector agrícola depende da boa relação com a administração pública. “A agricultura ressente-se quando existe uma má relação com a administração pública. É necessário haver ponderação. No entanto, tem sido feito um caminho muito positivo ao longo dos últimos anos de aproximação aos agentes económicos”, referiu.
O administrador da Agroges sublinhou que a realidade do regadio em Portugal mudou muito nos últimos anos, com a monitorização das infraestruturas e a tecnologia dessas infraestruturas. “A realidade é tão diferente que penso que é urgentíssimo que a política da gestão da água seja repensada porque estamos a utilizar práticas de gestão que usávamos há 20 anos. É importante investirmos nesta área”, destacou, acrescentando que os países do norte da Europa não compreendem a necessidade dos países do sul investirem em água e no regadio. “Não vejo facilidade nestas negociações mas é algo que Portugal tem que conseguir ganhar nesta guerra”, concluiu.

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