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“A medicina privada é mais competitiva porque os doentes só vêm se quiserem”

“A medicina privada é mais competitiva porque os doentes só vêm se quiserem”

Carlos Balhana, 58 anos, é médico no Hospital das Forças Armadas e um dos sócios da Clínica Central da Póvoa de Santa Iria.

Edição de 26.07.2017 | Identidade Profissional

Aos 58 anos, Carlos Manuel Caroço Balhana passa as manhãs no Hospital das Forças Armadas e as tardes e grande parte das noites na Clínica Central da Póvoa de Santa Iria, que dirige desde 1998. Prestes a entrar na reserva, não pensa na reforma mas sim em começar a ter uma consulta regular de cirurgia no British Hospital, provando que quem corre por gosto não cansa.
Nasceu em Évora e poucos anos depois foi para Santa Iria da Azóia, concelho de Loures. Casou-se aos 26 anos, mudou-se para a Póvoa de Santa Iria e é lá que vive. Pediu o adiamento do serviço militar obrigatório para seguir Medicina e no fim do curso concorreu à Força Aérea. “As vagas para o internato de especialidade não existiam nessa altura, porque o concurso estava muito atrasado, e eu via nas Forças Armadas uma hipótese de aceder às especialidades que queria”.
Carlos Balhana foi o primeiro classificado dos exames exigidos e escolheu a especialização em Neurocirurgia, mas acabou por seguir Cirurgia Geral, “porque era a área com maior interesse para a Força Aérea”. Passou mais tarde por áreas como a patologia, medicina militar, medicina de urgência, de catástrofe ou segurança no bloco operatório. Esteve nas urgências do Hospital Vila Franca de Xira e, ao mesmo tempo, começou o internato de cirurgia no Hospital Pulido Valente.
Após seis meses foi colocado no Hospital da Força Aérea em Telheiras para o internato complementar a tempo inteiro. As muitas cirurgias que fazia por dia permitiram-lhe construir um bom currículo que o ajudou no exame final do internato. Ficou como especialista de cirurgia no Hospital da Força Aérea (que actualmente integra o Hospital das Forças Armadas) até se tornar chefe, ao mesmo tempo que continuava nas urgências no Hospital de São José. Também deu aulas em várias universidades e institutos.
Quando passou a ter horas livres à tarde, a medicina privada “tornou-se bastante atractiva” e entrou para a Clínica da Piedade, na Póvoa de Santa Iria. Esteve lá quatro anos, até os três sócios daquela que viria a ser a Clínica Central da Póvoa de Santa Iria lhe fazerem a proposta para se juntar a eles. “A procura nessa altura era muito grande, porque o Centro de Saúde da Póvoa nessa altura já não correspondia às necessidades de uma população que quase quadruplicou em pouco tempo”, explicou.
Agora trabalham na clínica 35 médicos de 28 especialidades, em complementaridade com o novo Centro de Saúde da Póvoa, oferecendo serviços que não estão lá disponíveis. “Hoje em dia 85% dos nossos clientes são clientes de seguros de saúde, mas tentamos sempre não nos exceder no preço das consultas. A medicina privada é mais competitiva, porque os doentes só vêm se quiserem, pelo que para os fidelizarmos temos de lhes oferecer qualidade”.
Essa qualidade vê-se no tempo do atendimento, dando aos doentes “uma atenção que não têm num centro de saúde ou hospital público onde os médicos estão extremamente condicionados e em que são obrigados a verem quatro ou cinco doentes por hora em consultas de quinze, vinte minutos. Aqui na clínica temos consultas de meia hora, as pequenas cirurgias podem chegar a uma hora. Não quero que uma consulta me pressione, quero fazer uma boa gestão do tempo. No Hospital da Força Aérea, consigo fazer as mesmas consultas de meia hora que faço aqui, porque a gestão do tempo é feita por mim”, explica Carlos Balhana. Na Clínica da Póvoa as especialidades mais requisitadas são a medicina geral, a cirurgia geral e a ginecologia e pediatria.
Tendo feito toda a carreira na Força Aérea, o médico está prestes a passar à reserva, mas isso não significa que esteja a preparar-se para a reforma. “Trabalho muitas horas? Sim, mas se tivermos uma boa organização conseguimos ter dias de trabalho cansativos mas gratificantes. Trabalhamos com qualidade das oito da manhã às dez da noite ou mais tarde ainda e conseguimos dar a mesma atenção ao primeiro cliente da manhã e ao último da noite”.
Confessa que tal só é possível com a compreensão da família: “A família aceita porque tem uma compensação económica. Agora posso ajudar os meus filhos a não emigrarem para procurarem emprego noutros países, apoiando-os na compra das primeiras casas, criação dos primeiros empregos, que doutra forma não teria hipótese de dar”. A filha seguiu Enfermagem e o filho Engenharia Mecânica, mas uma sobrinha seguiu Medicina, “por isso tenho pelo menos alguém na família a seguir-me as pegadas”.

“A medicina privada é mais competitiva porque os doentes só vêm se quiserem”

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