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Gosto muito de música portuguesa mas gosto do desafio de outras músicas

Gosto muito de música portuguesa mas gosto do desafio de outras músicas

António José Inácio é Presidente da Escola de Toureio José Falcão

Edição de 26.07.2017 | Três Dimensões

António José Inácio nasceu há 69 anos no Lugar do Mato, concelho de Alenquer, onde ainda tem família. Aos 23 anos começou a trabalhar na Central das Cervejas e a partir daí viveu entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa Iria. Foi presidente da Junta de Freguesia do Forte da Casa e agora candidata-se como independente à união das duas freguesias. É responsável pela Escola de Toureio José Falcão, em Vila Franca de Xira, estando ligado à mesma há 19 anos.

Tenho, por acidente, dois aniversários. Nasci no dia 22 de Junho de 1948, mas no Cartão de Cidadão aparece 22 de Agosto. Foi uma confusão que fizeram com a minha data de nascimento e a de um primo que nasceu a 22 de Agosto. A certa altura deixei de me preocupar em mudar.

Passei a minha infância a trabalhar no campo com os meus pais. Aos 18 anos fui como voluntário para a Força Aérea e estive na base da Ota. Depois entrei na Central de Cervejas, em 1972, e fiquei lá 26 anos. Trabalhei na linha do enchimento. Naquela altura as pessoas que estavam naquela secção tinham uma grande responsabilidade porque faziam uma grande parte daquilo que hoje é feito pela parte electrónica do sistema.

Entrei na Central de Cervejas com a 4ª classe, estudei durante a noite e quando saí já tinha feito o antigo 7º ano. Foi-me entregue, aos 25 anos, uma medalha de mérito que contou muito para mim. Sempre que posso visito a fábrica para tomar um café ou beber uma cerveja.

Se me dão, por engano, uma Super Bock, devolvo e peço uma Sagres. É a minha cerveja preferida e não é só por ter trabalhado na Central de Cervejas. O meu prato preferido, embora não haja nada que não coma, é coelho à caçador. Sem falsa modéstia posso dizer que o coelho à caçador que eu costumo cozinhar para os amigos na minha tertúlia é bastante bom.

Quando tinha 11 meses os meus pais levaram-me a ver a minha primeira largada de touros. Aos 18 anos numa largada, as “tronqueiras” que protegem o público partiram-se e fiquei numa situação de risco. Levei muita porrada do touro e cheguei a ir ao hospital para ser assistido mas não parti nada. Os meus pais ficaram muito preocupados quando me viram entrar em casa e ir direitinho para a cama. No dia seguinte não consegui ir trabalhar. E a partir daí fiquei com a ideia que podia ir para forcado. Ainda tentei mas os meus pais convenceram-me a desistir.

Foi a ex-presidente da câmara, Maria da Luz Rosinha, que me convidou para dirigir a Escola de Toureio José Falcão. Aceitei e ganhei uma paixão ainda maior pelos touros. Já lá estou há 19 anos e fiz muitos milhares de quilómetros a acompanhar a escola, sempre a pagar o gasóleo do meu bolso, pelo gosto de estar presente.

Nasci no lugar do Mato em Alenquer e ali tratam-me por António José. Na Central de Cervejas tratavam-me por Inácio. Em algumas zonas da Póvoa de Santa Iria e do Forte da Casa tratam-me por Tó ou por presidente, dado ter sido muitos anos presidente da junta de freguesia.

Fui avô pela terceira vez na noite em que apresentei a minha candidatura a presidente da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. Nasceu a minha netinha mais nova, que se veio juntar aos dois netos que já tinha dos meus dois filhos. A esses já os levamos às largadas de touros e já têm o espírito.

Os jovens e os menos jovens têm muito a aprender uns com os outros. Todos os jovens que terminam as suas licenciaturas deviam ter oportunidade de trabalhar. Para além de poderem aplicar os seus conhecimentos e ganhar experiência era uma recompensa pelo esforço que esses jovens e os seus pais fizeram para se formarem.

Sou do Benfica mas vou ver jogos de outros clubes se os meus amigos me convidarem. Quando joga um clube português numa competição europeia eu apoio-o. Quando fui ver o Sporting à Suíça com um amigo, até comprei um pólo verde para usar e fui no mesmo avião em que viajou a equipa do Sporting.

Acredito que era possível montar um festival de música jovem na zona ribeirinha. Os jovens podem desafiar os mais velhos para se criar um festival que possa ser para todos. Este ano fui ao festival Super Bock Super Rock e já fui a vários concertos de rock. Gosto muito de música portuguesa mas sempre que me convidam para ir ver outros estilos, vou experimentar. Muitos amigos dizem-me que esta ou aquela música não têm nada a ver comigo mas eu gosto de ir.

Gosto muito de música portuguesa mas gosto do desafio de outras músicas

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