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Desalojados pelo fogo em Salvaterra de Magos não sabem quando poderão voltar a casa

Desalojados pelo fogo em Salvaterra de Magos não sabem quando poderão voltar a casa

O futuro é uma incerteza para 28 pessoas que tiveram de abandonar os seus apartamentos devido a um incêndio que começou num armazém. Durante uns meses vão viver em casa de familiares e amigos.

Edição de 16.08.2017 | Sociedade

Assim que voltou para casa Francisco Naia suspirou de alívio. É verdade que tanto ele como os outros moradores do prédio onde deflagrou o incêndio, no domingo, 6 de Agosto, em Salvaterra de Magos, ficaram desalojados e foram obrigados a ir viver para casa de familiares e amigos. É verdade que toda a comida que estava fora dos armários ficou estragada. É verdade que as paredes, os móveis, os edredons, ficaram negros. Mas, no meio de todas essas contrariedades, houve uma alegria: “Ao menos o prédio aguentou-se e fiquei com a minha casa intacta”.
Depois de ter autorização, Francisco Naia, tal como os outros condóminos, atirou-se às limpezas e ao empacotamento dos seus bens. “O pior é este pó do fogo que se entranhou em tudo. Têm sido dias difíceis. As pessoas, como é óbvio, vêem-se bastante prejudicadas com toda esta situação. Nenhum de nós teve nada a ver com isto e acabámos por ficar bastante prejudicados”.
Apesar de ter algumas dúvidas sobre o futuro, nomeadamente quanto às compensações dos danos, Francisco Naia conta que os peritos dos seguros já se deslocaram ao local para ver apartamento a apartamento e fazer o levantamento. “Todos os apartamentos têm seguro e as lojas também, mas sabemos como os seguros são coisas para pagarmos mas para nunca usarmos... Vamos ver agora o que é que cobre, o que não cobre para começar a pôr a empreitada a mexer”, diz.
De máscara posta a tapar o nariz, Francisco Naia, que também é vereador da Câmara de Salvaterra de Magos, oferece-se para mostrar a O MIRANTE um dos apartamentos mais afectados pelas chamas. Está tudo virado do avesso com os cortinados estragados, as roupas amontoadas em cima das camas, o chão cheio de pó. “Foi uma sorte não ter sido de madrugada senão as chamas tinham apanhado quem estava aqui no quarto, conta Francisco Naia, dirigindo-se para o terraço.
“O morador nem sequer chegou a estrear este espaço que tão cuidadosamente arranjou”, adianta, apontando para onde começou o incêndio que rapidamente atingiu grandes proporções. “Isto foi tudo muito rápido. Uma vizinha do prédio ao lado começou a gritar: ‘Fumo!’ e nós só tivemos tempo de sair de casa. Foi quando começaram a rebentar várias latas de tinta inflamáveis e a destruir esta zona dos prédios”, explica, desolado.
Descemos as escadas de emergência que estão intactas como se nada se tivesse passado. “Nenhum prédio em Salvaterra de Magos teria resistido a este incêndio como este prédio aguentou”, confessa, levando-nos à garagem do edifício, com cerca de 12 anos, habitado por famílias de classe média. Se não fosse a temperatura alta que se fazia sentir, está como nada se tivesse passado. “À partida o elevador e a cave também não terão problemas de maior apesar de a cave ter ficado com um palmo de água”, adianta.

Não houve necessidade de realojamento em instituições
Instalados, alguns em casa de amigos, outros em casa de familiares, não houve ninguém que necessitasse de ser realojado devido ao fogo pelo município. “Ninguém precisou porque a maioria das pessoas são de cá e têm família cá. Estão neste momento instalados em casas de amigos e familiares, eu próprio voltei para casa da minha mãe ao fim destes anos todos”, conta a O MIRANTE.
Nem Francisco Naia nem nenhum dos outros condóminos sabem quando poderão voltar às suas casas. “Para já estamos a ver os estragos. Aparentemente as instalações de água, luz e gás poderão não estar danificados em muitos apartamentos, só os do rés-do-chão, mas isso só os técnicos podem dizer”, explica.
Recorde-se que o incêndio que começou cerca das 16h00 num armazém de apoio a uma loja de chineses em Salvaterra de Magos obrigou à evacuação dos moradores do prédio de habitação onde situava-se o estabelecimento e de 28 utentes de um lar nas proximidades do incêndio por precaução.
No edifício, que é dos mais modernos na vila, com três andares e 12 apartamentos, viviam 28 pessoas de classe média e todos são proprietários dos imóveis. O fogo foi extinto às 00h06 de segunda-feira, 7 de Agosto, e provocou três feridos por inalação de fumo, dois bombeiros e um civil, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro de Santarém. No local, estiveram 98 operacionais, com o apoio de 35 viaturas.

Prédio não está em risco

“O prédio não está em risco mas vai ter de levar um reforço ao nível da primeira laje, vai ter de ser feito um diagnóstico ao ferro e ao betão, a seguir vai ser feito um projecto de reforço da estrutura e vai ter que ser executada a obra”, diz Francisco Naia.

Jovem casal nem chegou a estrear casa

No prédio de habitação onde deflagrou um fogo no domingo, 6 de Agosto, em Salvaterra de Magos, O MIRANTE encontrou um jovem casal que nem chegou a estrear o apartamento. “Acabámos de mobilar a casa a 31 de Julho e, entretanto, fomos de férias. Ficámos a saber do incêndio por telefone e viemos logo embora”, contam. A casa do casal, pronta a habitar, foi uma das mais afectadas pelo fogo, ficando com as várias divisões da casa negras devido ao fogo. Para já, “estamos a tirar tudo daqui de casa e depois temos de aguardar, mas não acreditamos que vamos ter a casa como estava tão depressa”, admitem.

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