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Vindimas mecânicas estão a aumentar no Ribatejo

Vindimas mecânicas estão a aumentar no Ribatejo

Falta de trabalhadores e maior produtividade com menores custos forçaram opção

Edição de 23.08.2017 | Sociedade

Cerca de oitenta por cento das uvas que são entregues pelos viticultores na Adega Cooperativa de Almeirim já são colhidas por máquinas de vindimar. A apanha mecânica não agrada a todos os produtores que a utilizam mas acabou por se impor por ser mais barata que a tradicional apanha manual.
Segundo alguns trabalhadores ligados às vindimas na área do Ribatejo, uma máquina consegue vindimar numa hora a mesma quantidade de uva que seria colhida por um grande grupo de quarenta a cinquenta pessoas como era normal ver numa grande vinha há algumas décadas.
Rui Penteado, trabalhador agrícola experimentado, diz que enquanto um grande rancho de pessoas colhe em média quatro toneladas por dia, uma máquina consegue colher 60 toneladas. Além disso, com o processo mecânico não é necessário cumprir um horário específico nem ter em grande atenção as condições climatéricas.
Uma das grandes vantagens da colheita mecânica é a possibilidade de a vindima se realizar à noite, altura em que as uvas estão frescas e os seus aromas se apresentam mais acentuados. Para aquele trabalho são necessários apenas dois ou três funcionários, sendo possível vindimar todas as uvas num correcto estado de maturação, a custos reduzidos. Alguns entendidos estimam que a poupança que uma vindima mecânica proporciona pode atingir os 40 a 45 por cento em relação ao que era gasto com a colheita manual.
Mas nem todas as vinhas estão preparadas para trocar a colheita manual pela mecânica. Para tornar rentável a utilização de uma máquina de vindimar serão necessárias algumas condições mínimas.
A vinha deverá ser preferencialmente aramada e os cachos devem estar situados mais ou menos ao mesmo nível, a pelo menos 30 centímetros m do solo (uma vez que a altura de apanha vai de 30cm a um máximo de 1,20 metros); as cabeceiras devem ter largura suficiente para que se perca o menos tempo possível em manobras com a máquina (no mínimo 5 metros); as linhas devem estar bem definidas, apresentando espaço suficiente entre elas e devem ser razoavelmente compridas e as parcelas devem ser relativamente grandes (um mínimo desejável entre dois e três hectares) e não devem apresentar inclinações longitudinais superiores a 40%.
A maioria dos produtores de uva admite que a máquina pode desperdiçar algumas uvas mas dizem que mesmo assim continua a compensar em termos económicos. Para além de ser difícil encontrar trabalhadores para fazer as vindimas, o que fez com que nos últimos anos fosse habitual encontrar imigrantes a fazer aquele tipo de trabalho, ao ordenado pago somam-se ainda as despesas com transporte e alojamento.
A apanha mecânica, feita com máquinas próprias ou alugadas, apesar de mais barata, não resolve todos os problemas. Os produtores continuam a queixar-se que o preço de venda da uva é muito baixo em relação aos custos totais de produção, colheita e transporte.

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