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Ossadas desaparecidas estavam na mesma sepultura mas com outro cadáver por cima
Vicente Vasconcelos admite processar câmara do Cartaxo por danos morais

Ossadas desaparecidas estavam na mesma sepultura mas com outro cadáver por cima

Vicente Vasconcelos andou três anos sem saber dos restos mortais do pai e admite processar Câmara do Cartaxo por danos morais. Caso motivou rescisão de contrato com empresa que geria o cemitério da cidade.

Edição de 18.10.2017 | Sociedade

Três anos e meio depois de muitas dúvidas e incertezas, Vicente Vasconcelos descobriu finalmente o paradeiro das ossadas do seu pai, Levy Vasconcelos, falecido no dia 1 de Setembro de 2004. A resposta é no mínimo insólita: as ossadas nunca saíram do local onde o corpo foi enterrado há 13 anos, no cemitério do Cartaxo, e entretanto foi sepultado outro cadáver por cima.
“O responsável do cemitério escavou a campa do meu pai mas como o caixão estava mais fundo do que o esperado acabou por não ser encontrado e enterraram lá outra senhora sem tirarem as ossadas do meu pai. Isto é de uma irresponsabilidade tremenda. Foram três anos de sofrimento e angústia por não saber onde estavam os restos mortais do meu pai”, lamenta Vicente Vasconcelos a O MIRANTE.
O lesado admite que vai avançar para tribunal contra o município do Cartaxo por danos morais. “Foram mais de três anos de muito sofrimento. Tive que ir reconhecer o corpo do meu pai, que ainda não está decomposto, devido ao local do cemitério em que está enterrado. Não desejo a ninguém o que passei, juntamente com as minhas irmãs. Foram momentos muito complicados. Vamos para tribunal porque nos fizeram sofrer muito. Houve aqui uma falha grave que podia e devia ter sido evitada”, afirmou, agastado com a situação.
Contactado por O MIRANTE, o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Magalhães Ribeiro (PS), confirmou que o corpo estava no mesmo local onde foi enterrado. “A câmara municipal acompanhou todo o processo desde o início e tomou todas as diligências junto do Ministério Público e do Instituto de Medicina Legal para saber o que realmente se tinha passado”, afirmou, acrescentando que após este incidente o município decidiu rescindir contrato com a empresa que prestava serviço no cemitério do Cartaxo e contratou outra. “Fizemos ainda a revisão do regulamento municipal do cemitério e substituímos todos os trabalhadores que estavam ao serviço do cemitério”, sublinhou o autarca.

Caso arrastou-se durante mais de três anos
A angústia da família de Vicente Vasconcelos começou no dia 3 de Abril de 2014 quando foram levantadas as ossadas que supostamente seriam de Levy Vasconcelos sem a presença de nenhum familiar, ao contrário do que estava acordado. “Em Junho de 2013 fui notificado pela Câmara do Cartaxo a dar-me conhecimento que as ossadas do meu pai seriam levantadas. Paguei pelo serviço que haveria de ser realizado e pedi para me avisarem do levantamento das ossadas porque queria assistir”, recordou a O MIRANTE em Fevereiro deste ano.
Nesse dia um conhecido ligou para Vicente Vasconcelos a informar que estavam a fazer o levantamento das ossadas. Quando lá chegou já não encontrou os restos mortais do pai. Foi aos serviços do município, onde fez uma reclamação escrita. “Depois desse episódio, a câmara municipal quis entregar-me umas ossadas que diziam pertencer ao meu pai mas não aceitei e exigi um exame de ADN”, contou a O MIRANTE.
Em Março de 2015 veio uma equipa do Instituto de Medicina Legal fazer uma perícia médica legal para identificação do cadáver. O relatório dizia que o cadáver em causa era de uma mulher. A Câmara do Cartaxo decidiu enviar este caso para o Ministério Público para apuramento de responsabilidades, tendo este determinado o arquivamento dos autos “face à insuficiência de indícios de conduta dolosa”.

Ossadas desaparecidas estavam na mesma sepultura mas com outro cadáver por cima

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