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Faço o que devo?

Como podemos ser melhores para que o resto fique melhor? Se cada um fizer o que deve, provavelmente, chega. Mas às tantas, pergunto a mim mesmo: “faço o que devo?”

Edição de 24.01.2018 | Opinião

Como ninguém sabe o que é um milhão de anos talvez não seja fácil imaginar que há muitos milhões de anos existia um enorme continente no hemisfério norte da Terra que incluía as atuais América do Norte, Europa e Ásia; esse continente chamava-se Laurásia. A organização dos continentes já não é assim hoje, como sabemos, pois a Terra “mexe-se” e é também por isso que aconteceu o sismo de Arraiolos. Mas a motivação deste escrito não é nada disto, mas sim a Laura. Conheci a Laura numa das ações de voluntariado da Refood. Filha de mãe holandesa e pai português, frequenta o 10º ou 11º ano, terá uns 16 anos. Foi um prazer conversar com a Laura durante cerca de uma hora e meia enquanto fizemos o nosso trabalho. Não sou pessimista, longe disso, mas, mais uma vez, fiquei com a certeza que, enquanto país, estamos condenados a ser como somos, pobres. Serão só alguns “cromossomas holandeses” a fazer a abismal diferença? É que a Laura sabe exatamente o que quer ser, estuda e trabalha para isso; pratica desporto federado; toca na Tuna da escola que frequenta; faz voluntariado; e está totalmente informada sobre o mundo que a rodeia. A determinada altura passámos pelas hortas urbanas de Évora e comentei um artigo recente na imprensa sobre a produção de alimentos e o fornecimento das cidades – a Laura tinha lido e lê habitualmente o jornal para estar informada e formular a sua própria opinião. Porque razão não há por aí as Lauras suficientes para mudarem as coisas para melhor? Pela minha profissão de professor interrogo-me, sobretudo num dia como o de hoje, em que estive a corrigir exames, onde falho? Como podemos ser melhores para que o resto fique melhor? Se cada um fizer o que deve, provavelmente, chega. Mas às tantas, pergunto a mim mesmo: “faço o que devo?”
Carlos A. Cupeto
Universidade de Évora

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