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Mato limpo

Educar as pessoas para a ocupação do interior deve ser um desígnio nacional. Muito para além dos “Vistos Golden” é urgente que se criem “Vistos Verdes” para quem, português ou não, tiver projetos de vida para o interior. Talvez seja oportuno olhar o passado e pensar numa séria política de “extensão rural” ajustada ao presente.

Edição de 15.03.2018 | Opinião

O Governo manda fazer o que não faz, ou seja, que o cidadão limpe o mato nas suas propriedades. Manda fazer em pouco tempo o que não fez durante anos. O típico “casa arrombada tranca na porta”.
A realidade é um interior despovoado onde predominam velhos. De resto, são emigrantes e emigrantes de difícil contacto e que por isso dificilmente vão cumprir o dever. Segundo quem melhor conhece o território, os autarcas, é tarefa impossível. Na verdade, o que se tem de fazer é um trabalho de anos, quase de reestruturação total de ordenamento do campo. Mas para isso são necessárias pessoas, que ocupem e que façam e tirem riqueza do campo. Isso só é possível, como sempre, se o campo for valorizado. Como em tudo, a valorização do campo não vai acontecer por decreto, será um processo lento, essencialmente por mudança do “nível de consciência dos portugueses”. Ora, isto é lento, muito lento, e custoso.
Tão importante como cortar árvores e mato perigosos é plantar árvores e apostar na mudança de mentalidade das pessoas: campo não é sinónimo de pobreza, como cidade ou litoral não é o mesmo que riqueza. A riqueza que escrevo inclui qualidade de vida, tempo, qualidade do ar e água, paisagem, mas, naturalmente, não pode ser só isto. Educar as pessoas para a ocupação do interior deve ser um desígnio nacional. Muito para além dos “Vistos Golden” é urgente que se criem “Vistos Verdes” para quem, português ou não, tiver projetos de vida para o interior. Talvez seja oportuno olhar o passado e pensar numa séria política de “extensão rural” ajustada ao presente. Uma certeza temos: tudo o que se possa fazer pelo interior, isto é, tudo o que se possa gastar, só terá resultados e fará sentido se por cá houver pessoas.
Carlos A. Cupeto
Universidade de Évora

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