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Comissão Técnica Independente

Sem tirar valor à CTI esta tem um nome muito infeliz. Vivo num país livre, rejo-me por deveres e direitos consagrados na Constituição e como técnico sou total e sagradamente independente, isto me basta.

Edição de 29.03.2018 | Opinião

E continuamos com a floresta. Como disse recentemente Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), quase tudo o que se tem feito depois da calamidade do ano passado tem sido feito com emoção. Como sabemos a emoção não pega bem com eficácia e profissionalismo. Bem a propósito de tudo isto, há dias, a Comissão Técnica Independente (CTI) entregou no Parlamento o relatório dos fogos de outubro de 2017. Obviamente que jamais está em causa a valia e a idoneidade dos 12 técnicos que integram a dita comissão. Todavia, desde logo o termo “comissão” põe-me os cabelos em pé. Esta palavra tem, justificadamente, má reputação em Portugal. Como sabemos quando se quer que tudo fique na mesma nomeia-se uma comissão. Porque não um “grupo de trabalho”, uma “equipa técnica” ou qualquer outra coisa, sempre melhor que comissão? Mas o pior não é a “comissão”, há alguma coisa básica que não compreendo de todo. Há “comissões técnicas” que não são independentes? Há estudos técnicos dependentes? A ser assim, há técnicos que não são técnicos, antes fazedores de resultados/conclusões convenientes. Será? Esta CTI que domina o nosso quotidiano tem necessidade de explicitar, reforçar, a sua independência? Porquê? É independente do quê e de quem? Do Governo, do Estado, das associações florestais…? E, já agora, quem lhe paga? A CTI é independente de quem lhe paga, certo? Enfim, sem tirar valor à CTI esta tem um nome muito infeliz. Vivo num país livre, rejo-me por deveres e direitos consagrados na Constituição e como técnico sou total e sagradamente independente, isto me basta. Todo o trabalho técnico que produzo, opinião ou análise, não autorizo que seja referido como independente, é-o.
Carlos A. Cupeto
Universidade de Évora
P.S. – Entretanto João Guerreiro, coordenador da CTI, afirmou duas coisas lapidares que há muito escrevi nestas páginas: i. “As autoridades de proteção civil não entenderam bem o que podia vir a acontecer”; se a proteção civil não entende quem entende? Para que serve então a Autoridade Nacional de Proteção Civil? ii. “É fundamental a profissionalização do combate e da primeira intervenção”, obviamente, uma guerra, como o fogo, não se combate com amadorismo “voluntário”.

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