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Médico, Saúde e Medicina - a mudança do paradigma
Luís Tomás Gonçalves

Médico, Saúde e Medicina - a mudança do paradigma

Edição de 03.05.2018 | Especial Saúde

Quando iniciámos os estudos na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1971, estávamos longe de pensar que este caminho nos traria tantos ensinamentos, alegrias e desilusões. Uma experiência de vida não pode ser relatada num texto de opinião.
Uma síntese pode ser feita e deve reflectir o que hoje sentimos no novo enquadramento político, social e económico em que o Médico, a Saúde e a Medicina são olhados de uma forma diferente. A Medicina e o conhecimento médico progridem lentamente até à sua prática clínica.
Partindo do conhecimento das ciências básicas e à utilização sistemática de uma metodologia comprovada de causa efeito, a prática médica é hoje capaz de criar bem-estar, prolongar a vida e prevenir a doença de uma forma eficaz. Em Portugal, o modelo organizacional tem permitido integrar equipas pluridisciplinares capacitadas com meios técnicos para prevenir, diagnosticar e tratar de forma precoce muitas das doenças conhecidas.
As especialidades médicas aparecem assim como o corolário de um processo evolutivo e aplicação cada vez mais estreita dos conhecimentos médicos em cada área.
A utilização das técnicas e as competências exigem cada vez mais uma prática exigente e diferenciada com uma prolongada curva de aprendizagem.
A especialidade de Ortopedia e Traumatologia é uma especialidade médico-cirúrgica recente com uma progressão rápida no reconhecimento social pelo resultado da sua eficácia na prevenção e tratamento das doenças osteoarticulares.
O mundo actual, invadido por ciborgues, exige à medicina e aos médicos, as melhores técnicas para serem aplicadas e assim resolverem as limitações funcionais que as doenças degenerativas e decorrentes do trauma originam.

Quedas e acidentes domésticos
Hoje, a prevenção das quedas é uma prioridade nacional e social. Todos os anos milhares de idosos em Portugal sofrem uma fractura do colo do fémur.
Infelizmente, se nada for feito na organização do actual sistema de saúde e para os que sofrerem esse tipo de fractura não haverá uma resposta em tempo útil. O seu número irá aumentar nos próximos anos na mesma proporção da idade média de vida e da osteoporose.
A traumatologia também ocupa uma preocupação particular dos médicos ortopedistas, quer tenha origem no desporto, nos acidentes domésticos, de viação ou de trabalho.

Doenças Degenerativas – prevenção e tratamento do doente com osteoartrose
Também aqui os conceitos mudaram.
Até aqui a osteoartrose era uma patologia exclusivamente associada ao envelhecimento e à população idosa. No entanto a doença está cada vez mais associada com o desporto de alta competição.
Quando ocorrem lesões da cartilagem nos atletas, o tratamento pode ser complexo na medida em que a grande preocupação passa pelo regresso à actividade física.
A par do risco associado à actividade desportiva e independentemente das cargas, há indivíduos que estão predispostos ao aparecimento dessa deformação cartilagínea por apresentarem outros factores de risco como lesões do ligamento cruzado, do menisco, a fadiga e a descoordenação muscular. A hereditariedade tem um papel importante. Os filhos de pais portadores de gonartrose, mesmo sem terem sofrido lesões graves, podem em 25% dos casos desenvolver essa mesma doença.
Os mecanismos conhecidos estão associados às interleucinas, considerados “mediadores pró-inflamatórios” que irritam as terminações nervosas da sinovial ou do osso subcondral e causam inflamação, dor e perda de função.
Podemos afirmar que o desporto moderado é saudável mas o desporto de alto rendimento, pelos microtraumatismos ou pelos macrotraumatismos predispõem a artrose. O imobilismo é prejudicial para a cartilagem devendo o exercício físico ser estimulado em todas as idades de forma controlada e com apoio de preparadores físicos informados.

Depressão e osteoartrose
De acordo com os estudos epidemiológicos da Organização Mundial da Saúde, a incidência da depressão é de 4,4%. O que significa que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo têm depressão.
Na população com osteoartrose (artrose) a incidência de depressão é de 18% e em alguns estudos pode chegar aos 40%.
A osteoartrose é causa de grande morbilidade e a depressão a terceira causa de incapacidade, medida em DALY`S.
Tratar a osteoartrose vai melhorar o prognóstico da depressão assim como o tratamento da depressão pode melhorar o prognóstico da artrose.
* Chefe do serviço de ortopedia
do Hospital Distrital de Santarém

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