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Irreverente Manuel Serra d’Aire

Edição de 24.05.2018 | Emails do Outro Mundo

A Câmara de Santarém quer entrar no ‘Guiness Book’ com o recorde da maior concentração de barretes de campino em 2019. Um objectivo que me parece perfeitamente ao alcance, tendo em conta a experiência que a cidade tem nesse campo. Basta ir aos arquivos recentes e recordar os barretes que a cidade tem enfiado ao longo dos anos, desde a variante ferroviária que se evaporou, à estrada cortada que nunca mais abre, ao hospital privado que não ata nem desata ou ao crematório que pelos vistos ardeu. E já não falo sequer de parques temáticos no CNEMA, de candidaturas a património mundial, de presidentes escritores ou de marinas na Ribeira de Santarém, porque esses já não são barretes mas chapéus de abas largas.
Por outro lado, acho que Santarém não devia tentar bater um recorde que pertence a outro município ribatejano, o de Benavente, alimentando assim uma espécie de competição fratricida que pode incendiar ânimos e exacerbar bairrismos. Temo mesmo que possa haver pancadaria da grossa por causa disso, dado o sangue quente do marialvismo ribatejano. Por isso sugiro à autarquia escalabitana que arranje alternativas. Por que não bater o recorde de pessoas em topless, por exemplo? As televisões caíam lá que nem abutres sobre carcaça de vaca. E eu estava lá batido com certeza.
O presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro, quer zelar pela moral e bons costumes nas provas desportivas que se realizam no seu concelho e decidiu criar um código de conduta dirigido aos agentes desportivos e, sobretudo, aos pais (e mães) dos atletas. Diz o autarca que está farto de ouvir asneiras nos campos da bola e pavilhões e que as ‘carvalhadas’ se tornaram numa espécie de linguagem oficial no mundo desportivo.
Eu, como infectível defensor dos mais sagrados princípios, tiro o chapéu ao zeloso autarca e incentivo-o até a ir mais longe na moralização da linguagem em Almeirim. E essa nobre missão pode continuar com a criação de outro código de conduta mas esse destinado aos trolhas. Uma cachopa não pode sair à rua com um centímetro quadrado de pele à mostra que é logo alvo de uma barragem de artilharia verbal vinda de andaimes, telhados e de outros pontos estratégicos onde esses snipers, munidos das inseparáveis colher e talocha, se camuflam para esperar pelas presas e atirar bojardas de assobios e piropos capazes de deixar uma varina atordoada, sem olhar a idades, estado civil, partidos ou convicções religiosas. Basicamente, atiram a tudo o que mexe que lhes cheire a fêmea. E mesmo os rapazes mais aperaltados não estão livres de ouvirem das boas.
Estou desgostoso com os estudantes universitários do nosso Ribatejo. Li há dias que o habitual rali das tascas da Semana Académica de Tomar não se realizou por falta de inscrições. Mas que copinhos de leite são estes que andam a dar cabo de tradições construídas com tantas noites perdidas, ressacas e gorosans? É com malta desta que querem que o país vá para a frente? Não tarda muito e vamos ter semanas académicas e queimas das fitas com concursos de poesia, torneios de xadrez e competições de ponto cruz. Pobre Quim Barreiros, estás feito ao bife!
Saudações académicas do
Serafim das Neves

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