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Prevenção dos incêndios

Edição de 07.06.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Chegou o mês de Maio e dele se aproxima rapidamente a época crítica dos incêndios que tantos males têm feito ao nosso país, como é do conhecimento de todos nós. Assim, é a altura própria de pormos em movimento todas as nossas precauções antes de ser tarde de mais.
Na verdade, todos temos bem presentes as tragédias do nosso recente passado, com mortes às centenas, moradores aos milhares sem casa, aldeias e fábricas praticamente desaparecidas, desempregados aos milhares. É a pobreza que vai pairando no nosso país.
Assim, analisando bem todo este passado tão indesejável, é tempo de nos prevenirmos e pormos em prática todas as nossas energias de maneira adequada e mais rentável.
Porém, aqui e agora, direi o seguinte: há cerca de 80 anos, data da minha criação, não havia incêndios em Portugal e não havia porque as nossas florestas, repletas de pinheiro bravo, eucalipto, sobreiro e outros, encontravam-se totalmente limpas. Não com receio de incêndios mas sim porque se necessitava desses carburantes, folhagens de todas as espécies que caíam no solo e todos os matos que ali nasciam, os quais transportavam para as suas ruas e currais, onde eram transformados em estrumeiras destinadas a adubar as terras de produção, sendo praticamente esta a adubação das terras ao tempo. Assim, os proprietários com estes dois actos adubavam as suas terras e mantinham as suas florestas totalmente livres de perigo.
Porém, hoje, é ao contrário. As florestas encontram-se repletas dos tais carburantes, altos matagais e todas as outras impurezas que ali se amontoam, e os seus proprietários, dado o estado em que as mesmas se encontram, não têm dinheiro para fazer a limpeza adequada.
Assim, a meu ver e salvo o devido respeito, a solução mais correcta seria o Estado, através das autarquias, limpar tudo e entregar essa tarefa em seguida aos proprietários ou compensar os proprietários das importâncias gastas e depois proceder como do modo anterior, pois só assim conseguiremos um trabalho totalmente adequado e ficaria a floresta totalmente limpa e livre de perigo.
Agora, voltemos ao combate que actualmente estamos a fazer aos incêncios. A meu ver as medidas são boas, todavia e também a meu ver, outras poderão ser um pouco mais completas. (…) No caso de Mação, um incêndio que tenha início em Cardigos, que fica a 20 ou 30 km, depois de recebido o alerta o primeiro carro de bombeiros leva à volta de uma hora a lá chegar. E em tanto tempo onde já vai o fogo... Com proporções alarmantes já será difícil parar a sua marcha. Ora, tomando como base este exemplo, para a acção ser mesmo eficiente, pelo menos nestes meses mais críticos, a meu ver os bombeiros deveriam ter um carro pronto para o combate com dois operacionais, centrados em Cardigos, ou em Amêndoa ou Carvoeiro, e outro em Envendos ou Ortiga. Assim, qualquer incêndio ao deflagrar seria eliminado rapidamente.
Não posso deixar de apontar o caminho mais correcto e eficiente, o resto aos profissionais pertence.
Ramiro da Silva,
Chefe de Polícia aposentado

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