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Regiobalização

Governar num país mais próspero e feliz não seria tão fácil. Estou certo que a penúria e o descontentamento torna a governação mais fácil. Mais, determinado tipo de governação e política só são possíveis na miséria. Todavia, saibam que uma possível regionalização não é a magia para todas as nossas “mágoas”.

Edição de 07.06.2018 | Opinião

Pedro Ribeiro, presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e presidente da Câmara de Almeirim, afirmou em Alcanena que “a regionalização não avança porque não interessa a vários poderes instalados, uma situação que está a travar o desenvolvimento económico, social e cultural do Ribatejo e das outras regiões”. Tem razão, mas o pior não é isto. O pior é saber que esta é uma estratégia consciente e assumida pelos tais poderes instalados para que possam governar em paz. Governar num país mais próspero e feliz não seria tão fácil. Estou certo que a penúria e o descontentamento torna a governação mais fácil. Mais, determinado tipo de governação e política só são possíveis na miséria. Todavia, saibam que uma possível regionalização não é a magia para todas as nossas “mágoas”. Antes do primeiro ciclo de debate sobre o tema da regionalização, pela experiência prática que tive em trabalhar com os nossos vizinhos espanhóis, fui um fervoroso adepto desta. Com os sucessivos debates à volta do tema vim a compreender que a má governança a nível nacional se iria replicar ao nível regional. Sabem porquê? Muito simples, os atores são basicamente os mesmos: umas vezes cá outras lá, em Lisboa. Nestas coisas não há milagres, quando a matéria-prima é igual o resultado só pode ser o mesmo. Na prática e em síntese: i. a pobreza é uma opção consciente e conveniente; ii. a regionalização é uma coisa boa; iii. pelos atores, potenciais governantes regionais, a regionalização – “um poder a instalar”- seria um segundo mal para o país. Por enquanto temos uma coisa boa, como se soube recentemente: Portugal é dos países mais satisfeito com o seu governo. Estamos, pois, numa encruzilhada difícil de resolver.
Carlos A. Cupeto
Universidade de Évora

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