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Edição de 12.07.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Depois de uma década fora, em que me tornei criador empreendedor emergente na cena artística portuguesa, voltei para Santarém para leccionar, voltar às bases, criar a partir do meu concelho uma plataforma de trabalho que o possa dar a conhecer, e onde possa confortavelmente trabalhar. Devo acrescentar que nos últimos dois anos em Lisboa criei juntamente com artistas do teatro, dança, música, circo, uma associação que esteve presente em festivais como Cartografias, 1 2 3 Dança, Filhos do Meio, Paralelo Açores, que apresentou peças em teatros como Sá da Bandeira, Ibérico, Cine teatro de Torres Vedras, Espaço Cultural Gaivotas (Teatro Praga), isto em apenas dois anos.
Depois dos primeiros meses, em que pensei que a falta de dinâmica e capacidade empreendedora eram fruto da minha perspectiva de vida mais dinâmica proporcionada pela capital, comecei a perceber que dez anos depois de ter saído para estudar, Santarém ainda é uma cidade que vive de tachos!!
Podíamos transpor facilmente o caso do Bruno de Carvalho, para inúmeras instituições locais que mantêm o bastão do poder por mandatos sucessivos, não promovendo a dinâmica inter-freguesias; não promovendo postos de trabalho para artistas emergentes no concelho; não promovendo o planeamento de actividades que elevem culturalmente e financeiramente o concelho, apenas promovendo as mesmas para uma elite facilmente demarcada e que em nada representa as opiniões de novos adultos que são a propulsão financeira da cidade.
Lamentavelmente constato que depois de um ano lectivo, e de inúmeras tentativas de implementar projectos no concelho que descentralizem o produto artístico da capital, promovendo-o a nível turístico e cultural, vejo-me obrigado a tentar levar as minhas ideias a outro lado, pois infelizmente as instituições de planeamento municipal, bem como alguns órgãos do poder local (não vou obviamente referenciar nomes de instituições), dão mais importância a estagnação cultural do que ao desenvolvimento, e isso foi claro na cedência dos apoios PAAAC.
É lamentável como afastamos a população jovem do concelho (falo de pessoas na minha faixa etária, a dos 32 anos). Somos jovens profissionais competentes, com capacidade de evolução, mas que ao voltarmos para o nosso distrito somos “podados”, como árvores para controlarem o nosso crescimento, e o crescimento do concelho consequentemente, claro que estes processos são claramente facilitados se formos primos, filhos, enteados, amigos de longa data, de alguém que chegou a um cargo de direcção (pelo mesmo processo selectivo), aliás, basta fazermos um levantamento neste momento dos cargos de chefia ocupados, ou que já foram ocupados, nos órgãos culturais da cidade.
Tenho a estreia da minha próxima peça no dia 18 de Setembro de 2019 em Lisboa. Paralelamente existe num projecto eventualmente muito curioso para Santarém financiado por uma instituição independente. Estou mais uma vez a tentar parcerias com órgãos do concelho mas será a minha última tentativa.
Gostaria de ver Santarém unido, descentralizando, desenvolvendo o turismo e capacidade financeira que podemos aproveitar, afinal estamos a 40 minutos da capital, mas também não gosto de perder tempo se não for bem aproveitado e por isso talvez volte para Lisboa.
Nuno Labau

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