Sociedade | 03-03-2006 10:17

Jovens prodígios da Física

Dois alunos da Escola Secundária de Azambuja venceram o concurso “O Físico Prodígio” promovido pela Gulbenkian.

“Porque é que um navio tão pesado não vai ao fundo?”. A resposta está na ponta da língua de Miguel Duarte, 13 anos, vencedor do primeiro prémio do concurso “O Físico Prodigioso”, ao nível do terceiro ciclo do ensino básico, promovido pela Fundação Calouste de Gulbenkian. “Por causa da força de impulsão”, esclarece prontamente um sério candidato a ocupar o lugar de Einstein no século XXI.O aluno do 8º ano da Escola Secundária de Azambuja, quadro de excelência do estabelecimento de ensino público, seguiu o raciocínio de Arquimedes na elaboração da monografia que lhe garantiu um lugar na final. A final decorreu na tarde de quarta-feira, 22 de Fevereiro, em Lisboa. Miguel Duarte acertou nas duas dezenas de perguntas que o colocaram no primeiro lugar do pódio e lhe valeram um computador portátil. O aluno do 8º ano teve que estudar a matéria do ano seguinte em menos de um mês. Ficou em primeiro lugar depois de esgrimir conhecimentos de física com o conterrâneo Luís Corgas, 16 anos, aluno do 9º ano da mesma escola, residente nos Casais da Lagoa (Aveiras de Baixo), que levou para casa uma máquina fotográfica digital.A resistência que o ar oferece a um corpo em queda livre foi o tema do trabalho do segundo classificado. “Dei o exemplo dos pára-quedistas”, ilustra o aluno que utilizou as três leis de Newton para explicar a descida. No dia da final, nas cadeiras da frente, perfilavam-se alguns ilustres da física, mas nem isso intimidou os representantes de Azambuja, apoiados por uma claque de professores e alunos. Os dois azambujenses destacaram-se ao lado de estudantes de reputadas escolas, como o Colégio Luso Francês do Porto, Externato da Luz ou Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa. “Não fiquei surpreendida. Fiquei feliz. Acho que os nossos alunos são muito bons e tinham tanta hipótese de ganhar como os outros”, confessa orgulhosa a professora de física Margarida Duarte, que orientou as monografias. A aventura começou com um convite para visitar a exposição “À Luz de Einstein”, na sede da Gulbenkian. Os alunos de Azambuja foram desafiados a responder às perguntas para o concurso. Ao lado de três mil estudantes de todo o país. A organização só contactou os jovens que acertaram em todas as perguntas. Entre eles o Miguel e o Luís. “Só chegar ali já tinha sido bom, mas receberam a carta a dizer que tinham sido seleccionados e ficavam entre os seis melhores”, diz orgulhosa a docente.Margarida Duarte explica que as aulas de física dos dois alunos são mais teóricas que práticas, mas a maioria dos estudantes mostra motivação para a aprendizagem.“A física vive muito à base do raciocínio matemático. Tentamos desenvolver mais o espírito crítico, embora algumas vezes se vá a laboratório”, explica.A professora não tem uma receita para ajudar a motivar os alunos da escola. Todos os dias, nas aulas, transmite quase espontaneamente a magia e o gosto pelo maravilhoso mundo da física. Ana Santiago

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