Sociedade | 21-03-2006 18:24

Agricultores exigem demissão de ministro

Agricultores do Ribatejo e Oeste manifestaram-se ontem em Vila Franca de Xira para pedir a demissão do ministro da Agricultura, Jaime Silva, e exigir ao Governo o pagamento dos subsídios relativos às medidas agro-ambientais.No final do protesto, que durou cerca de quatro horas, os manifestantes deixaram a promessa de continuar a lutar e de marchar até Lisboa, com os seus tractores, se for necessário, para fazer sentir a sua revolta junto do Governo.Os agricultores associados na Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) têm vindo a manifestar-se em vários pontos do país contra a suspensão dos subsídios compensatórios atribuídos aos agricultores que contratam com o Governo a prática de medidas protectoras do ambiente no desenvolvimento da sua actividade.O presidente da CAP, João Machado, encerrou a série de discursos no protesto afirmando que o ministro da Agricultura não representa os agricultores nem Portugal e por isso, pediu ao primeiro- ministro que demita de imediato Jaime Silva.João Machado culminou uma série de críticas à actuação do ministro dizendo que esta seria a última vez que o fazia, porque não queria continuar a dar importância ao governante."Mas vamos continuar a lutar pelos nossos interesses e vamos dirigir-nos ao primeiro-ministro para que nos paguem o que nos devem", afirmou.Em declarações à agência Lusa no início da concentração, João Machado tinha afastado qualquer hipótese de uma reunião com o ministro da Agricultura, por considerar que este não tem credibilidade para discutir a matéria com a CAP.Aos manifestantes, o presidente da CAP deixou o desafio de continuar a luta e de desfilar até Lisboa, quando for conveniente.Desafiou também todos os portugueses a juntar-se aos protestos dos agricultores, já que o que está em causa é o mundo rural, o ambiente e a qualidade da água.Todos os dirigentes associativos da CAP que falaram na manifestação foram unânimes nas críticas e insultos ao ministro e nos pedidos da sua demissão.Nos tractores, os manifestantes traziam uma caricatura do ministro com cara de Pinóquio, enquanto as principais palavras de ordem o classificavam de "mentiroso" e exigiam a sua demissão.O secretário-geral da CAP, Luís Mira, também o fez e acusou o ministro de má gestão no mesmo dossier, assegurando que, neste caso, não se trata de um problema de falta de dinheiro."O dinheiro que ele não está a gastar connosco está a ser gasto pelos agricultores espanhóis e franceses", disse, referindo-se ao facto de se tratarem de verbas comunitárias."Não estamos a pedir nada, só queremos o que está comprometido", acrescentou.As várias centenas de agricultores que se deslocaram em tractores a Vila Franca de Xira impediram a circulação automóvel na cidade durante mais de quatro horas.Por volta das 17:00, com o início da concentração, os manifestantes provocaram um enorme engarrafamento e, pouco antes das 19:00, o trânsito foi completamente cortado dada a concentração de tractores e veículos agrícolas na entrada Sul da cidade, onde se realizou o protesto.A desmobilização só começou por volta das 21:00, mas o engarrafamento prolongou-se, enquanto o trânsito dos tractores ia escoando.Os agricultores, que têm protestado por todo o país, queixam- se de que a suspensão dos subsídios compensatórios pelas medidas agro- ambientais estão a prejudicar mais de 23 mil agricultores, que tinham estabelecido contratos com o Governo nesse sentido.Os contratos para a prática de medidas agro-ambientais eram estabelecidos pelo prazo de cinco anos e cada agricultor recebia uma compensação anual por optar por um tipo de agricultura que respeitasse determinadas regras ambientais.Na sequência dos protestos dos últimos dias, o ministro tem vindo a público contrariar as afirmações dos agricultores, dizendo que a suspensão apenas vai afectar mil agricultores.O ministro justificou a suspensão destes subsídios com a necessidade de serem criadas novas regras para os reger, que deverão entrar em vigor no próximo ano.

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