Sociedade | 23-03-2006 09:20

Quatro freguesias de Abrantes ordenam espaço florestal

Quase três mil hectares de floresta ardida em 2005 de quatro freguesias de Abrantes vão ser ordenados naquela que será a primeira Zona de Intervenção Florestal (ZIF) do distrito e uma das primeiras do país.O acordo entre a maior parte dos proprietários já foi obtido e a assinatura de constituição da ZIF também, seguindo-se agora vários trabalhos no terreno para ordenar a área florestal, explicou à agência Lusa o presidente da Junta de freguesia de Aldeia do Mato, António da Cruz."Se os pinhais não tivessem ardido, teria sido bastante mais difícil se não impossível conseguir o apoio dos donos", afirmou o autarca, que se mostra confiante no sucesso do projecto, que conta com financiamentos estatais para o início dos trabalhos, nomeadamente na limpeza dos matos e reflorestação ordenada.Esta nova ZIF ocupa a maior parte da freguesia de Aldeia do Mato, incluindo ainda terrenos de Rio de Moinhos, Martinchel e Souto que ficaram destruídos com um incêndio de grandes dimensões em Agosto de 2005.Logo após esse fogo, "contactámos os proprietários, fizemos várias acções de sensibilização para não continuarmos a arder ciclicamente", recorda o autarca, salientando que "as pessoas aderiram porque já não tinha mais nada a perder".No futuro, "espero que os serviços oficiais colaborem connosco" no "apoio aos trabalhos de limpeza e criação de áreas de protecção", afirmou o autarca, que destaca a especificidade da legislação das ZIF como uma das condições para o seu sucesso.Ao contrário das anteriores tentativas de ordenamento, como o emparcelamento dos terrenos, em que era necessário o acordo dos proprietários, com as ZIF basta o apoio da maioria e o resto é obrigado a seguir o plano de ordenamento aprovado.Este processo foi dinamizado pela Associação de Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, pela Câmara Municipal de Abrantes pela Direcção- Geral dos Recursos Florestais e pelo governo civil, que realizaram várias sessões de esclarecimento nos últimos meses.As ZIF visam ordenar a produção florestal e reduzir o risco de propagação de incêndios, através da criação de corredores de protecção e plantação de espécies mais resistentes.As receitas destas estruturas irão reverter para os proprietários rurais, recordou o governador Civil de Santarém, Paulo Fonseca, que se mostra entusiasmado com o sucesso das ZIF no distrito.Trata-se "do caminho tecnicamente correcto" e o distrito deverá contar em breve com mais de uma dezena de entidades deste tipo."Esta é a última vez que existem alguns apoios financeiros e técnicos para o ordenamento da floresta", alertou o representante do Governo no distrito, considerando que os proprietários já estão cansados dos sucessivos incêndios que destroem qualquer perspectiva de rentabilidade."As pessoas já perceberam que não perdem nada com as ZIF e só ganham porque terão lucro e contam com um encaminhamento técnico adequado", acrescentou Paulo Fonseca.

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