Sociedade | 31-03-2006 10:46

Bombeiros de quatro patas

Os cães mascote das corporações de bombeiros começam a ganhar fama pelas suas habilidades. Há até quem diga que são mais aprumados e obedientes que alguns operacionais.

Sempre que o comandante dos Bombeiros da Póvoa de Santa Iria passa revista aos bombeiros em formatura lá está o Croque a acompanhá-lo. O cão adoptado pela corporação está no quartel há três anos mas já sabe que circular atrás do comandante António Carvalho. Este é um dos cães mascote dos bombeiros, que começam a ser uma tradição. O Croque é o sucessor do Fire que morreu há dois anos. Tinha sido oferecido por um emigrante na Suíça. A especialidade do Fire era os toques de sirene. Quando tocava três vezes ele já sabia que era incêndio e colocava-se junto dos auto-tanques dos bombeiros para ser levado para o teatro de operações. Uma vez um bombeiro não o deixou entrar no carro. E o Fire vingou-se com uma mordidela quando o elemento regressou ao quartel.Em alguns quartéis há quem veja nos animais outras qualidades. É o que acontece com o Voluntário em Almeirim. O comandante José Alberto Vitorino considera que o cão que chegou ao quartel cheio de pulgas e carraças, é também mais aprumado, pontual e obediente que alguns operacionais. Para além de ser um especialista nas formaturas, de até já ter participado na guarda de honra ao então primeiro-ministro António Guterres quando este inaugurou as piscinas de Almeirim, o Voluntário é conhecido ainda por outras habilidades. Quando vê os bombeiros com a farda de gala adivinha que vai haver festa e não sai de junto deles até entrar para a viatura que os vai levar a alguma cerimónia. Nos dias de instrução o Voluntário comparece na parada do quartel para acompanhar a formação. E quando toca a sirene, esteja onde estiver, corre para o quartel. “A seguir ao comandante é o elemento com mais representatividade dentro do quartel”, acrescenta a brincar José Alberto Vitorino. O Voluntário deve ter cerca de dez anos. Em jeito de brincadeira, José Alberto Vitorino esclarece que não sabe com exactidão a idade dele “porque não foi feito o registo dele na folha de matrícula, já que ficou à experiência para ver se sabia fazer alguma coisa”. Como prova da estima que os soldados da paz têm pelos cães, o comandante de Almeirim recorda que uma vez o animal apareceu no quartel com uma pata partida. Os bombeiros andaram meses com o cão no veterinário, tentaram fazer tudo para o curar, mas não conseguiram evitar a amputação do membro para grande tristeza dos seus protectores. “Como ele tinha várias namoradas devia ter sido o dono de alguma cadela mais ciumento que lhe bateu”, diz José Alberto Vitorino. Famoso também é o pastor alemão dos Voluntários de Samora Correia (Benavente). O Smoke foi parar ao quartel por iniciativa de um veterinário que recolheu fundos, comprou-o e ofereceu-o à corporação. O gesto do médico foi motivado pela tristeza que sentiu nos rostos dos bombeiros quando o antecessor do Smoke teve que ser abatido por causa de uma doença grave. O Smoke já participou também numa formatura, mas a sua especialidade é procurar pessoas desaparecidas. Apesar de já não estar a ser usado nas operações de busca e salvamento. O bombeiro Manuel Carvalho lembra que o Smoke foi treinado e chegou a ser utilizado na procura de uma idosa desaparecida na serra d’Aire. Devido aos elevados custos com os treinos, que implicavam deslocações ao estrangeiro, o projecto da equipa de busca e salvamento teve que parar. Mas o Smoke continua no quartel onde agora diverte os operacionais com algumas brincadeiras próprias de um cão mimado. Manuel Carvalho recorda que há uns tempos alguns bombeiros tinham combinado fazer um almoço no quartel. Temperaram as febras e deixaram-nas dentro de um alguidar na cozinha. O Smoke não esteve com meias medidas e só deixou os dentes de alho. Mas apesar das partidas, os elementos da corporação de Samora Correia têm uma enorme adoração pela sua mascote. António Palmeiro

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