Sociedade | 13-04-2006 18:12

Empresas de autarcas trabalham gratuitamente para a junta

O presidente da Junta de Freguesia da Glória do Ribatejo desmente que a sua empresa e a do tesoureiro da autarquia estejam a realizar trabalhos facturados para a autarquia, referentes à obra de recuperação do polidesportivo e jardim da vila.João Oliveira (PS) esclareceu O MIRANTE que a sua empresa, Electroglória, actuou graciosamente quando procedeu a arranjos eléctricos junto ao ringue, tal como a serralharia do tesoureiro quando colocou os tubos da nova vedação do recinto polidesportivo. “Foram serviços graciosos que prestámos à junta de freguesia com apoio de funcionários da autarquia. Eu próprio estive a ajudar a arranjar as estruturas eléctricas e a ligar os candeeiros”, salienta o autarca da Glória do Ribatejo. A denúncia acerca de alegada promiscuidade na realização de trabalhos para a junta por empresas dos dois autarcas partiu de um habitante da Glória. E O MIRANTE pôde verificar no local, no final da semana passada, elementos a descarregarem materiais de uma carrinha da empresa Electroglória e a arranjarem um candeeiro. Segundo explica João Oliveira, a obra de recuperação do polidesportivo e do jardim da Glória têm sido realizados por administração directa da junta de freguesia.A colocação de relva e dos equipamentos do parque infantil, bem como da rede para o polidesportivo foi da responsabilidade das empresas da região a quem foram comprados os materiais.“A colocação dos tubos da vedação do polidesportivo foi feita mais rapidamente devido à realização de um torneio de futsal que começou em 8 de Abril. Não há razão para desconfianças”, sublinha o presidente da junta.Quanto ao facto de estar afixada uma placa com a obra de recuperação do polidesportivo e jardim estimada em mais de 61 mil euros e com uma comparticipação de 50 por cento desse valor pela Direcção Geral das Autarquias Locais (DGAL), João Oliveira esclarece que se trata de um processo em que se ultrapassaram prazos.Esse projecto, afirma, previa a colocação de um relvado sintético, bancadas e redes no ringue. Para esse efeito recebeu-se uma comparticipação de sete mil euros da DGAL, mas o prazo de nove meses foi ultrapassado e entretanto realizaram-se as eleições autárquicas. “Quanto fui eleito presidente da junta solicitei a prorrogação dos trabalhos até final de 2005 e colocámos as redes em volta do ringue. Entretanto solicitámos nova prorrogação de prazo até final de 2006 para se poder colocar o relvado sintético, que custa cerca de 25 mil euros”, explica.João Oliveira comenta que quem faz as denúncias de alegadas promiscuidades entre a autarquia e empresas dos eleitos não tem conhecimento da falta de dinheiro que existe. Acrescenta que se espera pelas verbas do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF) para pagar a relva do parque infantil que ainda está por liquidar. “Desafio quem quer que seja a provar que temos facturado à junta os serviços que eu e o tesoureiro temos realizado e vamos continuar a fazer”, assegura.João Oliveira admite vir a falar do assunto na próxima assembleia de freguesia para que fique registado em acta que tanto ele como o tesoureiro da junta realizaram trabalho gracioso em favor da autarquia.

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