Sociedade | 20-04-2006 10:35

O jovem cientista de Alverca

O jovem cientista de Alverca, José Esperança, faz parte da equipa de investigadores que descobriu que o sal pode existir em estado gasoso.Tem 30 anos, veste calças de ganga, joga futebol e gosta de sair à noite. José Esperança, residente em Alverca, é um jovem como tantos outros. Apenas com a particularidade de já ter merecido referência na revista científica britânica “Nature”. O engenheiro químico do Laboratório de Termodinâmica Molecular do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa faz parte da equipa de investigadores que, em parceria com especialistas da Irlanda do Norte e Estados Unidos da América, descobriu que o sal pode existir em estado gasoso. A descoberta foi revelada a 16 de Fevereiro de 2006 pela conceituada revista.José Esperança, especialista em líquidos iónicos, trabalha no laboratório da Universidade, em Oeiras. Todos os dias percorre largas dezenas de quilómetros entre o local de trabalho e a casa, em Alverca. Ao contrário de muitos investigadores portugueses ainda não sentiu o apelo de sair do país. Nem pela tecnologia, nem pelo dinheiro. “Sempre dei muita importância à parte familiar. Por outro lado acho que posso dar ao meu país algum valor por cá ficar”, garante. O cientista lamenta que muitos investigadores tenham que deixar o país para ganhar alguma visibilidade na área.As viagens frequentes ao estrangeiro, sobretudo à Irlanda do Norte, são suficientes para fazer o gosto ao dedo. É para lá que se desloca regularmente para “sintetizar líquidos iónicos” – o segredo da descoberta divulgada pela “Nature”.Até aqui pensava-se que os sais líquidos, uma espécie de “primos” do sal de cozinha, não podiam passar à fase gasosa sem que se degradassem. A descoberta de portugueses,norte-irlandeses e norte-americanos prova que em certas condições de alta temperatura e baixa pressão, criando vácuo, a passagem à fase gasosa é possível. “Aquecendo-os é possível separar dois líquidos iónicos e destilá-los”, explica entusiasmado o cientista.José Esperança ainda não consegue prever a aplicação prática que a descoberta terá no mercado, mas garante que irá colocar certamente em causa alguns dogmas.O cientista, filho de uma contabilista e do actual presidente da Casa de S. Pedro, em Alverca, fala do “estudo as propriedades dos líquidos iónicos” – o tema do seu doutoramento – como se falasse de um qualquer assunto do dia a dia.A naturalidade e a genialidade são duas características inatas do jovem cientista que em apenas oito anos de investigação já preencheu mais de dez páginas de um currículo extenso. A professora primária foi uma das primeiras pessoas a perceber o dom para o raciocínio. Quando José Esperança compreendia a matéria à primeira Odete Manso mandava-o percorrer as outras salas com o livro de ponto. O jovem evitava a distracção dos outros colegas e aprendia matérias novas das outras salas todos os dias.O investigador não compreende o abismo que separa muitos jovens da matemática, da física e da química, mas tem uma teoria quase tão matemática como as suas experiências. “Acho que se criou uma espécie de bicho papão à volta destas disciplinas”, resume.

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