Sociedade | 30-04-2006 17:42

Ministro critica utilização de meios aéreos apenas nos grandes fogos

O ministro da Administração Interna, António Costa, criticou este domingo em Santarém a utilização no passado de meios aéreos em fogos descontrolados, prometendo que os aviões e os helicópteros serão este ano dirigidos prioritariamente para incêndios nascentes."Nós temos uma filosofia este ano definida de privilegiar a primeira intervenção sobre os fogos nascentes", afirmou António Costa, no final da apresentação do Plano Operacional Distrital de Santarém.É nos primeiros momentos do incêndio que "os meios aéreos são eficazes, quando temos um incêndio muito grande e já descontrolado, a descarga de água de meios aéreos é o mesmo que uma gota de água sobre uma lareira", considerou o ministro.Nesse sentido, o plano nacional de prevenção e combate a incêndios florestais prevê que os "meios aéreos têm de estar disponíveis para os fogos nascentes", explicou António Costa, que realçou o facto da capacidade de transporte de água ter aumentado em 43 por cento, relativamente ao ano passado, embora os custos de contratação sejam semelhantes.Além desta questão, o ministro prometeu "maior sinergia" entre as forças no terreno, com um comando mais articulado para melhorar a resposta perante os incidentes.O facto de ter sido um Inverno chuvoso também preocupa António Costa, que alerta para a necessidade de limpeza dos matos que cresceram muito neste período."Mais importante que a fiscalização temos de apelar ao comportamento cívico de todos" e "vamos ter este ano as matas com mais mato" pelo que só a actuação articulada dos sapadores, autarcas e dos proprietários poderá prevenir problemas mais graves, disse."Não podemos julgar que os bombeiros são capazes de apagar os fogos se nós não contribuirmos desde logo para a limpeza da floresta", evitando também os comportamentos de risco, defendeu o ministro, que criticou em particular o lançamento de foguetes em zonas florestais.A poucos quilómetros da cerimónia, em Vale da Trave (Santarém), três festeiros ficaram feridos domingo por causa de uma explosão durante o lançamento de foguetes."Os foguetes mal utilizados" ou "utilizados fora de época são um perigo real para a floresta", adiantou o ministro.Em paralelo, a tutela está a apostar no reforço da protecção individual dos bombeiros envolvidos no dispositivo nacional de combate aos incêndios."Os governadores civis concentraram todas as verbas para subsídios, num total de sete milhões de euros, para o equipamento individual de protecção pessoal a todos bombeiros voluntários que vão intervir no dispositivo", acrescentou António Costa.A nível nacional e nos períodos mais quentes (denominado de "Fase Charlie"), o dispositivo integrado conta com 5.100 bombeiros, apoiados por 1.188 veículos e 50 meios aéreos.A estes números somam-se 1.400 elementos da GNR mobilizados, com o apoio de equipas do Instituto de Conservação da Natureza (ICN, que atingem no máximo 300 elementos e equipas de combate a fogos florestais das indústrias de celuloses, que atingem duas centenas de operacionais, apoiados por três meios aéreos.No distrito de Santarém, estarão de prevenção, durante o Verão, 428 bombeiros, apoiados por 33 equipas da GNR, ICN e associações de produtores, com um total de 146 homens.O comandante distrital deste dispositivo, Joaquim Chambel, destacou em particular o reforço dos meios aéreos disponíveis e de homens relativamente ao ano passado.A partir de agora, os bombeiros do distrito poderão contar com bases de apoio de meios aéreos de regiões limítrofes, podendo coordenar a acção com esses recursos adicionais, explicou Joaquim Chambel.

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